LUÍZA VIEIRA
DO REPÓRTERMT
O Grupo Pelissa Transportes, que atua de forma integrada nos setores de produção agrícola, pecuária e transporte rodoviário de cargas, teve o seu pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça de Mato Grosso. O edital de intimação de credores foi expedido pela juíza Giovana Pasqual de Mello, da 4ª Vara Cível de Sinop (480 km de Cuiabá).
No total, o endividamento bruto acumulado pelas empresas e produtores do grupo atinge R$ 67.769.542,94. Desse montante, R$ 31.447.245,54 correspondem a créditos concursais, ou seja, dívidas que entram diretamente no plano oficial de renegociação.
O pedido de socorro judicial foi apresentado de forma unificada pelas empresas Pelissa Transportes Ltda e TR Pelissa Transportes Ltda, além dos produtores rurais e membros da família Paulo Sergio Pelissa, Elizete Borges e Ana Paula Pelissa. As áreas produtivas e bases logísticas do grupo concentram-se nos municípios de Sinop e União do Sul (629 km de Cuiabá).
Ao Judiciário, o Grupo Pelissa justificou que a severa crise econômico-financeira foi provocada por uma junção de fatores climáticos e de mercado. Entre os motivos listados estão as restrições da “moratória da soja”, inadimplência de compradores de grãos, a frustração de safras e quebra de produtividade causadas pelo fenômeno climático El Niño, além do aumento dos custos operacionais no setor agrícola e logístico.
Com o deferimento do processo, a magistrada determinou a suspensão de todas as ações e execuções de cobrança movidas contra o grupo pelo prazo de 180 dias, período conhecido juridicamente como “fase de blindagem”. Durante este tempo, fica vedada qualquer medida de penhora, busca e apreensão ou retenção de bens das empresas.
Para garantir que o grupo continue faturando e tenha condições de pagar as dívidas, a juíza Giovana Pasqual de Mello reconheceu a essencialidade de um pesado maquinário que deve continuar na posse dos produtores.
A lista protegida contra apreensões inclui 5 caminhões tratores das marcas Volvo e Scania, 33 reboques e semirreboques (da marca Facchini), além de colheitadeiras, pulverizadores e distribuidores de fertilizantes John Deere. Três propriedades rurais de grande porte também foram blindadas: as Fazendas Ana Paula (Lotes 04 e 02-A), em Sinop, e a Fazenda Promissão (Lote D), com mais de 2 mil hectares localizados em União do Sul.
Lista de grandes credores e próximos passos
O grupo econômico deverá apresentar um plano de recuperação unificado para todas as suas marcas em até 60 dias. Caso o prazo seja descumprido, a recuperação pode ser convertida em falência.
A Dux Administração Judicial foi nomeada para fiscalizar as contas do grupo durante o processo, sob a representação do advogado Alexandry Chekerdemian Sanchik Tulio. A remuneração fixada para a administradora foi de R$ 632.176,55, equivalente a 2% do valor da lista de credores.
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