O Grupo Abra, controlador das companhias aéreas Gol e Avianca, estuda reajustar as passagens aéreas para compensar a forte alta do querosene de aviação provocada pela guerra no Oriente Médio. A estimativa ocorre em meio às tentativas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de segurar os preços com linhas de crédito e outras medidas.
A possibilidade de um reajuste foi divulgada pelo CEO da holding, Adrian Neuhauser, durante apresentação dos resultados financeiros do primeiro trimestre deste ano. Segundo o executivo, a meta do grupo é repassar integralmente aos consumidores o aumento do combustível até o fim de 2026.
“Esperamos atingir 100% de repasse da alta do combustível às tarifas até o fim do ano, mas, na média do período, a recuperação deve ficar em torno de 60%”, afirmou Neuhauser em uma conferência com executivos na quarta-feira (20) a que a Gazeta do Povo teve acesso.
Os números mais recentes disponíveis apontam que o querosene de aviação deu um salto de 40,7% em abril deste ano na comparação com o mesmo mês do ano passado. Também em abril, a Petrobras anunciou um aumento de 18%, mas com um adicional de 36,8% parcelado em seis vezes para não aplicar um reajuste imediato de 54,8%.
A empresa explicou que nem todo o reajuste consegue ser aplicado imediatamente por causa das passagens vendidas antes da disparada do combustível e também pelo tempo necessário para atualizar as tarifas no sistema. Outro fator que preocupa a companhia é o possível impacto na ocupação dos voos diante do encarecimento das viagens.
Neuhauser reconheceu que a parcela do aumento que não for recuperada nas tarifas pressiona diretamente o caixa das empresas. Embora, disse, parte desse efeito possa ser compensada pelas operações de hedge de combustível, uma operação financeira usada pelas companhias aéreas para tentar reduzir os impactos das oscilações do petróleo.
Na prática, funciona como uma proteção para travar preços futuros do combustível e evitar prejuízos ainda maiores em momentos de crise internacional.
Outros indicadores
O Grupo Abra informou que ampliou a proteção financeira sobre o combustível nos últimos meses, chegando a 60% do consumo da operação de passageiros entre junho e agosto. Foi estabelecido um teto de US$ 4 por galão, acima dos cerca de 50% registrados entre março e maio, quando o teto era de US$ 2,45 por galão.
A empresa também revelou uma mudança no comportamento dos consumidores diante da instabilidade econômica e da expectativa sobre os preços das passagens. Segundo o CEO, os passageiros estão demorando mais para fechar a compra, numa tentativa de esperar uma possível queda no valor das tarifas.
“Temos menos visibilidade. Não é uma mudança dramática, mas é uma mudança no comportamento dos consumidores. Eles estão lendo jornais e tentando entender se vai ter uma queda do combustível e do preço, por isso, estão segurando a decisão de compra. Mas, no fim, eles estão comprando, mesmo que depois”, disse Neuhauser.
De acordo com o grupo, o prazo médio para compra das passagens caiu para cerca de 45 dias, uma redução de 10% na comparação com período semelhante de 2025.
A holding também afirmou ter iniciado uma reorganização operacional, com ajustes em rotas menos rentáveis, reforço da oferta em mercados considerados mais fortes e medidas de corte de custos para enfrentar o avanço das despesas.
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