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Congresso derruba vetos de Lula à LDO e flexibiliza repasses em ano eleitoral

O Congresso Nacional derrubou nesta quinta-feira vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 e retomou dispositivos que flexibilizam regras para repasses federais a municípios e para transferências em período eleitoral.

A sessão conjunta foi convocada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a quem cabe marcar reuniões do Congresso destinadas à análise de vetos presidenciais. A articulação para derrubar os dispositivos começou ainda nesta semana, durante a Marcha dos Prefeitos, evento que reúne em Brasília gestores municipais de todo o país em busca de liberação de verbas, convênios e emendas parlamentares, em contato direto com deputados, senadores e integrantes do governo.

Na abertura do encontro, na terça-feira, Alcolumbre anunciou publicamente que organizaria uma sessão do Congresso para analisar os vetos e permitir que municípios voltassem a acessar recursos federais. Segundo ele, cerca de 3.100 cidades seriam afetadas pelas restrições impostas pelo governo federal.

Um dos vetos derrubados diz respeito ao artigo 95 da LDO, que estabelece que a “doação de bens, valores ou benefícios pela administração pública com encargo ao donatário” não configura descumprimento das restrições da legislação eleitoral. Na prática, o dispositivo flexibiliza repasses e transferências em ano eleitoral.

Ao vetar o trecho, o governo alegou que a proposta criava exceção à Lei das Eleições e tratava de tema fora do escopo da LDO. Ao vetar o trecho, Lula também citou dispositivo da legislação eleitoral que proíbe, nos três meses que antecedem a eleição, a realização de transferências da União a estados e municípios com execeção daqueles valores destinados a obrigações já preexistentes para obras em andamento ou aqueles destinados a situações de emergência ou calamidade pública.

Contrário à derrubada do trecho, o líder do Psol na Câmara, o deputado Tarcísio Motta (SP) afirmou que a volta do trecho possibilitaria a “compra de votos”, justamente por possibilitar o repasse de valores a municípios em período eleitoral. — Isso é antirepublicano, uma aberração — afirmou.

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Já parlamentares que defendem a medida argumentam que o não repasse de valores poderia afetar os investimentos em municípios, principalmente os de pequeno porte.

Os parlamentares também decidiram restabelecer um trecho da LDO que dispensa municípios de até 65 mil habitantes da exigência de adimplência para receber transferências voluntárias da União, firmar convênios e receber recursos, como de emendas parlamentares. O dispositivo havia sido vetado por Lula sob argumento de que a medida contrariava a Lei de Responsabilidade Fiscal e poderia violar regras constitucionais ligadas à seguridade social.

Na mensagem enviada ao Congresso em janeiro, o governo argumentou que a LDO, por ser uma lei ordinária e temporária, não poderia afastar exigências previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal. O Planalto também afirmou que a dispensa de adimplência para municípios inadimplentes violaria o artigo 195 da Constituição, que proíbe benefícios a entes em débito com a seguridade social.

Ao todo, foram 44 vetos do presidente Lula à LDO, mas o Congresso decidiu derrubar apenas 4 deles. Outros dispositivos que tiveram o veto derrubado é uma exceção que permite ao governo destinar recursos para a construção e manutenção de rodovias estaduais e municipais, e também hidrovias, desde que seja voltadas à integração de modais de transporte ou ao escoamento produtivo.

Durante a Marcha dos Prefeitos, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu as emendas parlamentares e criticou o que chamou de tentativa de “criminalização” do mecanismo de transferência de recursos. Segundo ele, as emendas aproximam o Orçamento federal das necessidades dos municípios.

— As emendas são instrumentos legais de participação do Congresso no orçamento da União para atender as demandas dos municípios, das comunidades mais distantes, ajudar na manutenção dos serviços de saúde, poder investir na educação e infraestrutura. Porque não é de um gabinete aqui de Brasília, por mais competente que seja o ministro, que ele consegue ter a sensibilidade que os prefeitos, que os vereadores, que os líderes comunitários têm — afirmou.

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Pressão por CPI do Master

Antes do início da análise dos vetos, a sessão conjunta também foi marcada por cobranças ao presidente do Senado para a instalação da CPMI do caso Master. Deputados de oposição e também parlamentares alinhados ao governo pressionaram Alcolumbre sobre o tema.

Entre os que fizeram cobranças públicas estavam Pedro Uczai, Luiz Lima e Kim Kataguiri.

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Também subiu à tribuna do Congresso o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), igualmente para pressionar pela abertura de uma CPMI. Ele declarou que quer ver o banqueiro Daniel Vorcaro “sentado” na comissão para explicar suas relações com autoridades dos Três Poderes.

— Eu tenho um desafio a fazer. Eu quero Daniel Vorcaro e Augusto Lima sentados naquela CPMI falando qual é a realção que eles tinham com Flávio Bolsonaro, com Lula e com Alexandre de Moraes. Porque eu não tenho nada a temer, não tenho nada a esconder. Estou desafiando aqui a esquerda brasileira — afirmou o senador.

Apesar das tentativas, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, negou os pedidos e reafirmou que a sessão foi convocada apenas para tratar dos vetos presidenciais.

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