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Secretária de Educação de Mirassol sofre ameaças de morte em grupo de WhatsApp: "Acidente de carro e bala perdida não é crime, tá?"

THIAGO NOVAES

DO REPÓRTERMT

A secretária municipal de Educação de Mirassol D’Oeste (a 297 km de Cuiabá), Rosana de Cássia Botelho de Carvalho, registrou boletim de ocorrência após ser alvo de ameaças de morte, calúnia e difamação em um grupo de WhatsApp do município.

O boletim foi registrado nessa terça-feira (28), após a gestora ser alvo de ataques com xingamentos, acusações sem provas de desvio de dinheiro público e mensagens que incitam violência contra ela.

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Em áudios enviados no grupo, um homem chama a secretária de “ladra” e incentiva que moradores utilizem armas de fogo contra ela, sugerindo, inclusive, que um eventual ataque poderia ser tratado como “acidental”. Segundo a secretária, os ataques foram feitos por um homem identificado apenas como “Fábio”, que não é morador do município e teria sido incluído no grupo por terceiros.

“Tem nem como eu falar de outra maneira, não tem como eu chamar de outra maneira. Essa vagabunda da Secretaria de Educação, essa ladrona que desviou um milhão e meio. Não tem dois meses na Secretaria de Educação, foi contra os pais, tá? Aí agora está na mão de vocês. Eu recomendo que cada um pegue um revólver, uma metralhadora, na hora que ela passar. Tiro acidental também não é crime não, tá?”, diz o áudio.

Em outro áudio, ele faz novas ameaças e incita a população contra a secretária: “Só pra lembrar vocês, pra vocês ficarem atentos: acidente de carro e bala perdida, besouro sem asa não é crime, tá? Isso vale pra vocês que, na hora que vocês verem a secretária de educação do município. Essa incompetente, essa vagabunda e ladrona.”

Em conversa com o RepórterMT, Rosana afirmou que passou a ser alvo de ataques após a prefeitura decidir encerrar o transporte escolar urbano. De acordo com ela, a medida foi adotada por falta de necessidade, já que as escolas ficam próximas aos bairros, e foi comunicada previamente à população.

“É uma cidade pequena, tem escolas próximas de todos os bairros. Nós vimos que não tinha mais a necessidade do transporte urbano, que não é de responsabilidade da prefeitura. A responsabilidade da prefeitura e do estado é o transporte rural, que é o que nós fazemos. Como estava dando muito problema o transporte urbano, nós resolvemos tirar no final do ano. Fui na rádio, avisei aos pais, avisei em grupos de WhatsApp que eles matriculassem os filhos mais próximo da casa deles, porque esse ano não teria mais o transporte urbano. E assim fizemos”, contou.

A secretária disse que, após a decisão, os pais criaram grupos de WhatsApp para discutir o tema e, em um deles, o suspeito passou a incitar ataques contra ela. “Aí esse Fábio já começou a incitar a população contra a minha pessoa, me chamando de ladra e falando palavras de baixo calão a meu respeito”, relatou.

Segundo ela, a situação se agravou após uma decisão judicial favorável à prefeitura sobre o fim do transporte.

“O juiz acatou o que nós dissemos, né? Então aí ele se revoltou ainda mais, porque não conseguiu o intuito que queria, e partiu para essa questão, incitando a população a acabar comigo”, disse.

Apesar do fim do transporte urbano, a secretária destacou que o município manteve o atendimento a alunos com deficiência e famílias sem condições de deslocamento.

Em nota, a Prefeitura de Mirassol D’Oeste se manifestou sobre o caso e afirmou que os áudios divulgados em grupos de mensagens “incitam explicitamente a violência física” contra a gestora, além de trazer acusações infundadas de desvio de recursos públicos. A administração também declarou solidariedade à secretária e reforçou confiança no trabalho que ela desenvolve à frente da Educação. O município também cobrou a adoção de medidas protetivas para garantir a integridade da secretária e manifestou apoio às investigações da Polícia Civil.

Leia a nota na íntegra:

NOTA PREFEITURA MUNICIPAL DE MIRASSOL D’OESTE

A Prefeitura Municipal de Mirassol D’Oeste vem a público manifestar seu mais veemente repúdio às ameaças de morte, calúnias e difamações dirigidas contra a Secretária de Educação, Rosana de Cassia Botelho de Carvalho. Áudios criminosos divulgados em grupos de mensagens incitam explicitamente a violência física contra a servidora pública, acusando-a infundadamente de desvios de recursos. A Prefeitura expressa sua total solidariedade a Rosana e reafirma sua confiança no trabalho dedicado que ela desenvolve à frente da pasta de Educação.

Condenamos categoricamente a violência política e a misoginia que se manifestam através de ameaças de morte e campanhas de perseguição contra mulheres em cargos públicos. A incitação ao assassinato é crime grave que deve ser investigado e punido com rigor pelas autoridades competentes. Apoiamos integralmente as investigações da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso e exigimos que medidas protetivas imediatas sejam adotadas para garantir a integridade física de nossa secretária.

A Polícia Civil investiga o caso.

Ouça os áudios:

 


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