quarta-feira , 20 maio 2026
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Produtora de filme sobre Bolsonaro diz que Vorcaro bancou mais de 90% da produção

O banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, foi responsável por mais de 90% dos recursos utilizados para a produção do filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo relata a empresária Karina Ferreira da Gama, dona da produtora GoUp.

Em entrevistas à GloboNews, TV Globo e Band nesta terça-feira (19), Karina disse que o orçamento já executado chega a cerca de US$ 13 milhões, equivalente a R$ 65,7 milhões, e que o filme está na fase de pós-produção, com trabalhos de efeitos especiais e sonorização ainda em andamento. Ela afirmou ainda que o projeto precisará de recursos adicionais, mas garantiu que o valor restante não é considerado substancial.

“Mais de US$ 13 milhões já foram gastos. Já estou terminando [a produção]”, disse Karina à Band.

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Um pouco mais cedo, Flávio Bolsonaro admitiu que visitou Vorcaro logo após o banqueiro deixar a prisão em novembro do ano passado para, segundo disse, colocar um “ponto final” no contrato do filme. Mais cedo, o senador se reuniu com parlamentares do PL para dar explicações sobre as mensagens vazadas pelo site The Intercept Brasil que o mostram cobrando dinheiro de Vorcaro para financiar o filme sobre Bolsonaro

Segundo as apurações, Vorcaro teria destinado R$ 61 milhões para a produção, de um total de R$ 134 milhões supostamente acertados contratualmente. Flávio Bolsonaro inicialmente negou qualquer relação, mas posteriormente reconheceu o encontro, o que gerou um desgaste interno e um temor de novas revelações.

Em outra explicação entre a revelação do caso, na semana passada, e a nova justificativa, Flávio chegou a admitir que Vorcaro investiu pouco mais de US$ 12 milhões no longa “Dark Horse”. O valor citado representa aproximadamente 92% do orçamento atual informado pela produtora.

Tanto as falas de Flávio como de Karina contradizem com as primeiras dadas pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP), que atuou como produtor-executivo do filme e negou envolvimento de Vorcaro na produção. Dias depois, se justificou afirmando que houve apenas uma “diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento”.

“Quando afirmei anteriormente que não há ‘um centavo do Master’ no filme, referia-me ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico, assim como o Banco Master nunca figurou como empresa investidora”, afirmou.

No mesmo dia em que Flávio Bolsonaro admitiu a visita a Vorcaro, uma nova apuração do The Intercept Beasil revelou que Frias agradeceu ao banqueiro pelo apoio ao filme. Novamente, ele tentou se justificar e culpou o site de interesses privados pelas reportagens divulgadas.

Busca por novos investidores

Karina declarou que sua equipe precisou buscar novos apoiadores após a prisão de Vorcaro, ocorrida durante o andamento das filmagens. Segundo ela, o banqueiro atuava como intermediador dos recursos destinados ao projeto e não diretamente como investidor oficial da produção.

“Quando ele [Vorcaro] foi preso, a gente já estava filmando. Eu tinha folha de pagamento para pagar, eu já tinha profissionais para pagar. E nenhum deles sentiu o impacto porque todo mundo arregaçou as mangas”, afirmou a empresária à TV Globo.

A produtora também disse que Vorcaro foi procurado por Flávio Bolsonaro em 2024, período em que, segundo ela, “não havia nenhuma informação contra Vorcaro”. Em outras entrevistas, porém, o senador já se referiu ao banqueiro como investidor e patrocinador do filme, e não apenas como intermediador financeiro.

Recursos através de fundos

Karina afirmou ainda que a GoUp nunca recebeu dinheiro diretamente de Vorcaro ou de empresas ligadas ao banqueiro. Segundo ela, todos os valores destinados ao longa vieram do fundo Heavengate, sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, aliado do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

As investigações da Polícia Federal, no entanto, apontam que a empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, teria sido a origem dos recursos usados na produção do filme. Segundo a produtora, a última gravação de “Dark Horse” ocorreu em 8 de dezembro de 2025, apenas 21 dias após a primeira prisão do banqueiro.

Karina também revelou que outra empresa de sua propriedade, a Academia Nacional de Cultura, recebeu R$ 2,4 milhões em emendas PIX para a produção da série documental “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”. O projeto, porém, acabou interrompido após o bloqueio de uma das emendas destinadas pela então deputada Carla Zambelli (PL-SP).

De acordo com a empresária, a decisão partiu do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob o argumento de que a emenda não cumpria os requisitos exigidos para transferências via emenda PIX. Ela afirmou que o bloqueio inviabilizou completamente a série, que teria episódios sobre nomes históricos como José de Anchieta e Dom Pedro I.

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