O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o advogado Daniel Monteiro não tiveram os nomes citados pela CPMI do INSS e pela CPI do Crime Organizado, no Congresso Nacional, que terminaram com a rejeição dos relatórios finais que pediam o indiciamento de pessoas ligadas às supostas fraudes financeiras do Banco Master.
Costa e Monteiro foram presos nesta quinta-feira (16), pela Polícia Federal, durante a deflagração da quarta fase da Operação Compliance Zero. Ambos são apontados pela investigação com papéis-chave nas operações realizadas pelo banqueiro preso Daniel Vorcaro através da instituição liquidada pelo Banco Central.
Tanto a CPMI do INSS como a CPI do Crime Organizado começaram com objetivos distintos, mas acabaram enveredando para investigar as fraudes do Master. No entanto, os parlamentares não os citaram nos documentos finais, embora a Polícia Federal apresente indícios e alegações da participação de ambos no esquema.
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A CPMI do INSS, realizada em conjunto por parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado, passou a investigar o Master após apurar que o banco pode ter cometido as mesmas fraudes envolvendo outras instituições financeiras no roubo de R$ 3,7 bilhões de aposentados e pensionistas através de descontos associativos irregulares.
Já a CPI do Crime Organizado começou investigando a atuação de facções criminosas no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas passou a apurar a atuação do Master a partir do momento que a Polícia Federal indicou uma relação entre o banco e a corretora Reag, que geria investimentos supostamente abastecidos com dinheiro do PCC proveniente de um esquema de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro do tráfico de drogas.
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que o plano de trabalho aprovado da CPI autorizava a apuração de lavagem de dinheiro e corrupção. Isso abriu espaço legal para investigar o caso Master, mesmo com a comissão ter sido criada originalmente para investigar organizações criminosas como milícias, facções e tráfico.
A apuração apontou que fundos da Reag eram usados em triangulações financeiras para inflar o balanço do banco e ocultar rombos.
No entanto, o advogado Daniel Monteiro não é citado nos relatórios finais das comissões. Segundo a Polícia Federal, ele atuava como “arquiteto jurídico” das supostas fraudes cometidas por Vorcaro.
Já Paulo Henrique Costa teria atuado para pressionar o conselho do BRB e o governo do Distrito Federal para fechar negócios com o Banco Master que levaram à compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro e à própria aquisição da instituição privada pela estatal. A operação foi barrada pelo Banco Central em setembro do ano passado.
A investigação aponta que Costa receberia R$ 146 milhões em propina de Vorcaro através de imóveis de luxo em São Paulo. No entanto, o valor efetivamente pago teria ficado em R$ 74,6 milhões. O ex-executivo do BRB ainda integraria uma holding financeira com o banqueiro no futuro, após a concretização da compra do Master pelo banco estatal.
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