THIAGO NOVAES
DO REPÓRTERMT
Estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) vão realizar, nesta sexta-feira (29), o “Ato de Caminhada da Comunidade Universitária contra a Misoginia e toda forma de violência”. A manifestação será realizada no Campus Cuiabá, com concentração às 16h30, na sede do Diretório Central dos Estudantes (DCE).
O ato ocorre em meio a recorrentes denúncias de violência e situações de desrespeito às mulheres dentro da universidade. Entre os episódios citados estão registros recentes de manifestações misóginas e a criação de uma “lista das mais estupráveis”, feita por estudantes e que gerou indignação na comunidade acadêmica e abertura de investigação pela Polícia Civil.
Conforme já noticiado, a polêmica começou no dia 4 de maio, quando alunas da Faculdade de Direito receberam prints de conversas no WhatsApp contendo o ranking de teor misógino e violento. O caso gerou revolta generalizada na comunidade acadêmica e mobilizou órgãos de proteção às mulheres.
O caso também passou a ser investigado pela Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, além do acompanhamento do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Segundo a apuração, os envolvidos podem responder inicialmente por incitação ao crime, entre outros delitos que podem ser acrescentados ao longo das investigações.
A Direção da Faculdade de Direito suspendeu o estudante investigado após análise preliminar das conversas atribuídas a ele em aplicativos de mensagens.
Além da repercussão no meio acadêmico e policial, o caso ganhou desdobramentos fora do ambiente universitário após a denúncia de que o pai de um aluno do curso de Engenharia Civil, que também estaria envolvido na confecção da lista de alunas “estupráveis”, teria se dirigido a estudantes da instituição e feito declarações consideradas intimidatórias. Este segundo estudante também foi suspenso.
O pai do estudante é policial federal e após o episódio a Superintendência Regional da Polícia Federal em Mato Grosso instaurou um procedimento disciplinar na Corregedoria contra o agente.
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Diante do cenário, a Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (FAET) chegou a adotar aulas remotas no curso de Engenharia Civil e suspender atividades práticas após a escalada das tensões envolvendo os estudantes.
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Os estudantes também apontam que a mobilização busca dar visibilidade a casos anteriores de violência ocorridos dentro das dependências da instituição. De acordo com o DCE, a caminhada tem como objetivo cobrar medidas mais efetivas da reitoria para o enfrentamento da misoginia e o fortalecimento da segurança no campus.
Segundo o coordenador do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Whilber Rafael, a mobilização surgiu a partir de demandas apresentadas pelos próprios estudantes após os episódios registrados recentemente na universidade. “Essa manifestação surge da própria necessidade dos estudantes pedindo uma resposta e que a UFMT se posicionasse de forma ainda mais firme”, explicou.
Após a concentração, os participantes seguem em passeata pela Avenida Fernando Corrêa e retornam pela guarita 2.
Além das pautas relacionadas à violência de gênero, o ato deve incluir reivindicações históricas do movimento estudantil, como investimento em educação e passe livre estudantil.
O ato contará com apoio da gestão da UFMT e deve reunir estudantes, docentes, técnicos administrativos, movimentos sociais e coletivos universitários em defesa do respeito, da dignidade humana, dos direitos das mulheres e do enfrentamento a todas as formas de violência no ambiente acadêmico.
A reitora da UFMT, professora Marluce Souza e Silva, reforçou a importância da participação coletiva no ato. Ela também falou sobre o que é a misoginia, caracterizada pelo preconceito, desprezo, discriminação ou aversão contra mulheres. “Ela pode aparecer em falas, atitudes, violências, humilhações, ameaças ou práticas que inferiorizam mulheres apenas por serem mulheres”, explicou.
“Eu, reitora da UFMT, acreditando na possibilidade real de combate à misoginia, conto com a presença de todos/as os/as docentes, especialmente quem esteja nas pró-reitorias, diretorias, chefias e coordenações de cursos, no ato organizado pelos estudantes e realizado em parceria com o movimento estudantil”, destacou.
A reitora também afirmou que a participação da gestão universitária representa o posicionamento institucional da universidade diante dos recentes episódios denunciados na comunidade acadêmica.
“Estaremos manifestando nosso repúdio não apenas à misoginia, mas a todas as formas de violência nos campi da Universidade Federal de Mato Grosso”, afirmou Marluce Souza e Silva.
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