A aprovação da quebra de sigilo fiscal e bancário de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, pelo CPMI do INSS adiciona um novo elemento de risco ao projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O episódio ocorre no momento em que pesquisas apontam perda de fôlego do petista e encurtamento relevante na eventual disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Para o vice-presidente da Arko Advice, Cristiano Noronha, o desgaste é imediato.
“O fato do filho do presidente ser alvo de uma quebra de sigilo, obviamente que, por si só, já é uma notícia desagradável para o governo”, afirmou durante o programa Mapa de Risco, do InfoMoney, desta sexta-feira (27).
A CPMI do INSS investiga um esquema de descontos associativos não autorizados sobre benefícios de aposentados e pensionistas, no âmbito da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal.
De acordo com investigadores, mensagens extraídas do celular de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e apontado como operador do esquema, mencionam o repasse de ao menos R$ 300 mil para o “filho do rapaz”. Segundo a PF, a referência seria a Lulinha.
Potencial agravamento
A avaliação do cientista político, o impacto político pode se intensificar dependendo dos desdobramentos. “É ruim agora, mas eventualmente pode ser pior na frente”, disse Noronha, ao ponderar que eventual divulgação de dados que indiquem movimentações relevantes poderia aprofundar o desgaste.
A analista política da XP, Bianca Lima, destacou que o tema da corrupção costuma ter assimetria no debate público. “Essa temática é uma temática que serve muito para a oposição, e que fere muito mais o governo”, afirmou.
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Segundo ela, o caso surge em um momento particularmente delicado, em que o Planalto ainda tenta colher efeitos de medidas econômicas adotadas em 2025 e enfrenta oscilações negativas nas pesquisas.
Eleitorado pêndulo
O pano de fundo do episódio é o novo levantamento da AtlasIntel, divulgado na quarta-feira (25), que mostrou empate numérico entre Lula e Flávio Bolsonaro em cenário de segundo turno. A diferença que era de dois dígitos no início do ano desapareceu, consolidando um cenário de polarização apertada.
Cerca de 80% do eleitorado já se concentra nos polos Lula e Bolsonaro, restando uma fatia reduzida de votos efetivamente disputáveis. Nesse contexto, episódios com potencial de desgaste tendem a pesar mais sobre o eleitorado menos ideológico.
A conclusão trazida no programa é de que o impacto do caso Lulinha não deve alterar o voto do núcleo duro do petismo, mas pode influenciar eleitores indecisos ou menos engajados, justamento o segmento que tende a decidir uma eleição marcada por margens estreitas. Com mais de um ano até o pleito, há espaço para reconfigurações no cenário.
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