Além do Brasil, onde os Estados Unidos decidiram classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras (FTO, na sigla em inglês), com vigência a partir de 5 de junho, Washington também já recorreu ao mesmo instrumento contra grupos criminosos de outros países da América Latina.
Veja abaixo como a Casa Branca agiu contra esses grupos e países após a classificação:
México
Em fevereiro de 2025, os EUA classificaram seis cartéis mexicanos do narcotráfico como terroristas: Sinaloa, Jalisco Nueva Generación (CJNG), Cártel del Noreste, Cartel do Golfo, La Nueva Familia Michoacana e Carteles Unidos. Em seguida, o Departamento do Tesouro passou a rastrear e bloquear operações suspeitas de lavagem de dinheiro desses cartéis em diversos bancos de vários países. No território, os EUA reforçaram a presença de drones e inteligência na fronteira sul e deram apoio às Forças Armadas mexicanas, que realizaram em fevereiro uma grande operação onde acabaram executando Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, chefe do CJNG.
Venezuela
Após designar a facção venezuelana Tren de Aragua como terrorista, em fevereiro de 2025, Washington lançou a Operação Southern Spear (Lança do Sul), conduzida pelo Comando Sul (Southcom), com o porta-aviões nuclear USS Gerald Ford, caças em Porto Rico, drones MQ-9 Reaper e mais de 10 mil militares no Caribe e no Pacífico Oriental. Sob ordens de Trump, o Pentágono começou a alvejar em alto mar as lanchas do tráfico vinculadas ao crime venezuelano. O primeiro ato ocorreu em setembro de 2025, quando Trump anunciou a destruição de uma embarcação com 11 narcoterroristas do Tren de Aragua em águas internacionais.
Em novembro, o governo americano classificou como terrorista o chamado “Cartel de los Soles”, descrito pelo Departamento de Estado como uma rede chefiada pelo então ditador Nicolás Maduro e outros altos integrantes do regime chavista, que teriam corrompido as Forças Armadas, a inteligência, o Legislativo e o Judiciário venezuelanos. A designação permitiu o Exército americano atingir bens e infraestrutura de Maduro dentro da Venezuela. Ela culminou na captura do ditador venezuelano dentro de Caracas, durante operação das forças americanas, em janeiro deste ano. Ele foi levado para Nova York, onde está preso e sendo julgado.
Haiti
Em maio de 2025, os EUA classificaram as gangues Viv Ansanm e Gran Grif como terroristas. Com a designação, os ativos dos grupos sob jurisdição americana foram congelados, transações com eles foram proibidas e quem lhes fornecesse apoio material passou a correr risco de sanções.
El Salvador e a América Central
A Mara Salvatrucha (MS-13) foi classificada como terrorista pelos EUA em fevereiro de 2025, ao lado do Tren de Aragua. Com base na designação e na Lei dos Inimigos Estrangeiros, de 1798, os EUA deportaram, em março daquele ano, 261 pessoas em território americano para El Salvador, entre membros do Tren de Aragua e 23 integrantes da MS-13. Todos foram levados ao Cecot, megapresídio antiterrorismo criado pelo presidente Nayib Bukele.
Em 23 de setembro de 2025, os EUA designaram também como terrorista a gangue criminosa Barrio 18, descrita pela Casa Branca como responsável por ataques a agentes de segurança, autoridades públicas e civis em El Salvador, Guatemala e Honduras. Com a designação, tornou-se crime federal fornecer apoio material ao grupo, seus ativos sob jurisdição americana foram congelados e seus membros, barrados de entrar nos EUA. A medida veio acompanhada da ampliação do compartilhamento de inteligência e o apoio às forças de segurança dos três países centro-americanos.
Equador
Em setembro de 2025, os EUA classificaram como terroristas os grupos criminosos Los Choneros e Los Lobos, que possuíam aliança com os cartéis de Sinaloa e Jalisco Nueva Generación e buscavam controlar rotas de tráfico no país. A designação veio acompanhada de cooperação judicial. O governo do Equador, liderado pelo presidente de centro-direita Daniel Noboa, decidiu enviar para os EUA, após capturá-lo em junho de 2025 seguinte a uma fuga da prisão, José Adolfo Macías Villamar, o “Fito”, líder dos Los Choneros. Foi a primeira vez que um equatoriano foi extraditado diretamente do Equador para a Justiça americana. Ele responde nos EUA a sete acusações, entre elas distribuição internacional de cocaína e contrabando de armas dos EUA para o Equador.
Além disso, os EUA realizaram a primeira operação militar conjunta com o Equador. Em 6 de março de 2026, o Equador bombardeou, com apoio americano, um acampamento de treinamento de uma dissidência das Farc que atua na fronteira com a Colômbia, na província de Sucumbíos. Segundo o presidente Noboa, a ação teria destruído o esconderijo de um líder criminoso e uma área de treinamento de narcotraficantes. Na ocasião, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, confirmou que o Departamento de Guerra realizou “ações específicas” a pedido do Equador para desmantelar redes narcoterroristas.
Colômbia
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foi classificada como terrorista pelos EUA em outubro de 1997. Em 2000, os EUA lançaram com Bogotá o Plano Colômbia, programa de ajuda militar de US$ 9 bilhões (R$ 45 bilhões) para combater o narcotráfico e retomar território. Sob o plano, o apoio americano equipou as forças colombianas, recuperou áreas dominadas por grupos armados e pressionou as Farc a negociar, até o acordo de paz de 2016.
PCC e CV ao lado da Al-Qaeda
Após a classificação, o PCC e o CV, deverão integrar uma lista de mais de 90 organizações encabeçada por grupos terroristas islâmicos como Al-Qaeda, Estado Islâmico, Hamas e Hezbollah. Em entrevista à CNN Brasil nesta segunda-feira (1º), a porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, afirmou que Trump está “atuando para eliminar” as duas facções brasileiras, usando “todas as ferramentas” disponíveis.
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