LUÍZA VIEIRA
DO REPÓRTERMT
O assassinato de Clara Vitória da Silva, de 23 anos, na noite de terça-feira (12), no bairro Vila Esmeralda, em Tangará da Serra (242 km de Cuiabá), levou Mato Grosso ao registro de 17 feminicídios em 2026. Em menos de 15 dias de maio, quatro mulheres já foram vítimas do crime no Estado.
Douglas Aparecido Ferreira foi preso após confessar o crime. Ele morava em frente à casa da vítima havia poucos dias e, segundo a investigação, estaria obcecado por Clara, mesmo após ter sido rejeitado pela jovem que era casada. O feminicida matou a vítima a pauladas e a estuprou. O corpo de Clara foi encontrado por uma amiga, coberto por um tecido e com marcas das agressões provocadas pelos golpes.
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Montagem Repórter-MT
O caso era investigado investigado como feminicídio, mas com o avanço das apurações, a Polícia Civil passou a incluir também o estupro qualificado no indiciamento.
Na semana passada, outras três mulheres foram vítimas de feminicídio, entre elas a estudante de Direito Valéria Araújo Corrêa, de 28 anos, morta em circunstâncias semelhantes às de Clara. Ela foi assassinada e estuprada na quarta-feira (6). José Carlos Gomes de Souza, de 20 anos, confessou o homicídio e o estupro da vítima, sendo preso na sexta-feira (8). Em depoimento, relatou ter desferido 31 facadas contra Valéria, sendo 26 delas na região do pescoço.
O corpo da estudante foi encontrado com mãos e pés amarrados, sem roupas e enrolado em lençóis. A faca usada no crime foi localizada em uma caçamba de lixo.
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Valéria foi morta em casa com 36 facadas dadas pelo assassino que conhecia há pouco tempo.
Também foram vítimas de feminicídio no início do mês a empresária Nilza Moura de Sousa Antunes, de 64 anos, morta pelo marido em Cuiabá, em um caso desvendado no dia 5 de maio, e Elzilene Alves do Nascimento, de 49 anos, assassinada pelo companheiro, com quem era casada havia 30 anos, em Várzea Grande. O corpo dela foi encontrado em uma região de mata, próximo a um córrego no bairro Marajoara, no dia 7 de maio.
Nilza, empresária do ramo imobiliário, foi encontrada morta e enterrada no quintal de uma residência no bairro Parque Cuiabá, na Capital. O marido dela, Jackson Pinto da Silva, de 38 anos, confessou ter amarrado o corpo e utilizado um lacre plástico, conhecido como “enforca-gato”, para asfixiá-la. Na tentativa de ocultar o cadáver, ele contratou uma máquina para cavar o buraco no quintal, alegando que o serviço seria para a instalação de uma manilha.
Além da violência física, o crime teve motivação financeira. Jackson chegou a simular um sequestro da esposa e realizou transferências bancárias com o dinheiro da vítima após a morte.
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Nilza foi assassinada e enterrada no quintal de uma residência em Cuiabá. Para não deixar vestígios, ele contratou uma máquina para cavar a cova.
Já Elzilene foi assassinada a facadas por Francisco Carlos Pereira da Silva, de 68 anos. Ele confessou o crime e foi preso. De acordo com a investigação da Polícia Judiciária Civil, o homem atraiu a esposa para um suposto passeio na região e, ao chegar a um local isolado, passou a atacá-la. Ele desferiu 10 golpes de faca contra a mulher, que chegou a pedir clemência e implorar pela vida, mas não resistiu aos ferimentos.
Nenhuma das vítimas conseguiu registrar boletim de ocorrência ou solicitar medida protetiva contra os agressores antes dos crimes.
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Elzilene pediu clemência antes de ser brutalmente esfaqueada pelo marido
Feminicídios e medidas protetivas
No total, dos 17 feminicídios registrados este ano em Mato Grosso, apenas uma vítima possuía medida protetiva. O mês de março foi o mais violento do período, com seis registros de morte.
Até agora, as autoridades aplicaram 6.792 medidas protetivas no Estado, um número que busca frear a violência que, em 2025, gerou 18.223 pedidos de proteção.
As medidas protetivas, previstas na Lei Maria da Penha (11.340/2006), são mecanismos cruciais que oferecem garantias e segurança para que mulheres possam denunciar seus agressores.
Elas podem ser solicitadas independentemente da tipificação penal ou da instauração imediata de inquérito, servindo para coibir a violência com restrições que, se descumpridas, geram consequências criminais imediatas e prisão do agressor.
Denuncie
A violência contra a mulher não pode ser ignorada e nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital: https://delegaciadigital.pjc.mt.gov.br/.
Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.
O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.
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