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EUA decidem classificar PCC e CV como grupos terroristas

O departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) que o governo do presidente Donald Trump decidiu classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas a partir de 5 de junho.

O anúncio foi feito pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, que classificou as facções como “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”. Segundo o comunicado do Departamento de Estado, o PCC e o CV já comandam milhares de integrantes e já organizaram ataques contra policiais, autoridades públicas e civis no Brasil. O governo americano afirmou ainda que a influência e as redes ilícitas das facções se estendem para além das fronteiras brasileiras, alcançando outros países da região e os próprios Estados Unidos.

Rubio disse que o governo do presidente Trump continuará usando “todas as ferramentas disponíveis” para proteger os interesses de segurança nacional dos EUA e cortar financiamento e recursos destinados a “narcoterroristas”.

A decisão ocorre um dia depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, se reunir com Rubio na Casa Branca e reforçar o pedido para que o governo americano incluísse o PCC e o CV na lista de organizações terroristas estrangeiras. Flávio havia levado a mesma solicitação ao presidente Donald Trump no dia anterior, durante encontro no Salão Oval.

Nas redes sociais, Flávio Bolsonaro reagiu a decisão dos EUA: “Grande dia”, escreveu o parlamentar ao compartilhar a publicação do secretário Rubio no X com o anúncio.

Na reunião realizada nesta quarta-feira (27) na Casa Branca, Flávio disse que o secretário Rubio havia recebido com receptividade seu pedido para classificar as facções como terroristas.

A ideia de classificar o PCC e o CV como grupos terroristas já vinha sendo discutida dentro do governo Trump desde o início deste ano. Em março, um funcionário do Departamento de Estado disse à Gazeta do Povo que Washington via as facções brasileiras como “ameaças significativas à segurança regional”.

A decisão não deve ser bem recebida pelo governo Lula, que já demonstrava preocupação com esse tipo de enquadramento. Integrantes do Itamaraty avaliavam em março que a classificação poderia abrir espaço para ações mais duras dos Estados Unidos contra o país.

No mês passado, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em Washington que a classificação também poderia “afetar negativamente o mercado financeiro e o turismo no Brasil”. Ele disse que as facções são “organizações perigosas, criminosas, que têm que ser enfrentadas com rigor da lei”, mas defendeu que elas não fossem tratadas como organizações terroristas.

O presidente Lula chegou a dizer após reunião com Trump, no começo deste mês, que a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas não havia sido discutida.

Desde seu retorno à Casa Branca, Trump tem adotado uma política mais agressiva de combate ao crime organizado transnacional. O americano classificou diversos cartéis mexicanos e grupos criminosos da América Latina como grupos terroristas e ampliou o uso de instrumentos de segurança nacional para atingir o tráfico de drogas na região, inclusive lançando uma operação militar no Caribe e no Pacífico para atingir lanchas do tráfico.

Em sua nova Estratégia de Contraterrorismo, publicada no começo deste mês, os EUA também passaram a tratar narcoterroristas e organizações criminosas transnacionais como uma das principais ameaças à segurança nacional americana.

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