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Com segurança e privatizações no centro, Tarcísio e Haddad reeditam disputa em SP

Divergências em relação a tópicos como a privatização da Sabesp e a condução das políticas de segurança pública devem pontuar o debate entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) na disputa pelo comando do estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Nessa reedição do embate de 2022, os dois prometem brigar pela paternidade de investimentos ao mesmo tempo em que precisarão definir o desenho final de suas chapas, que ainda têm em aberto indicações para o Senado.

Na largada da pré-campanha, o eleitorado tem manifestado preferência por Tarcísio, segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada na semana passada. O levantamento mostra que o governador registrou 38% das intenções de voto em um cenário estimulado do primeiro turno contra 26% de Haddad. Há quatro anos, a diferença numérica entre eles era a mesma — 44% a 32% — com Haddad saindo na frente.

Tema recorrente na eleição passada para governador, a privatização da Sabesp ressurge agora como legado de Tarcísio, enquanto Haddad deve buscar associá-la a efeitos negativos percebidos pela população. A estatal de saneamento foi privatizada em junho de 2024, com transferência de participação de 32% das ações ao setor privado, pelo valor de R$ 14,7 bilhões, enquanto o governo passou a ter atuação minoritária, com metas de universalização dos serviços até 2030 e de investimento de R$ 66 bilhões. À época, a iniciativa foi questionada na Justiça e chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de representações conjuntas dos partidos PT, PSOL, Rede Sustentabilidade, PV e PCdoB. A ação, no entanto, foi rejeitada por unanimidade no plenário da Corte.

Reações

Desde então, como relatou a colunista do GLOBO Vera Magalhães, os registros de reclamações na Arsep, agência reguladora de serviços públicos do estado, aumentaram, junto às queixas por cobranças indevidas feitas ao Procon. No início deste ano, o governador também precisou responder a um momento de estresse hídrico, após um período de falta de chuvas, e disse, na época, que não descartaria a possibilidade de criação de uma tarifa de contingência, ou seja, um acréscimo na cobrança para os clientes que ultrapassassem o consumo médio do ano anterior.

Em paralelo, Tarcísio tem feito menções à transposição de bacias, obras de interligação de reservatórios e gestão de demanda noturna como iniciativas determinantes para a economia de água e melhora dos reservatórios, afirmando que as ações proporcionaram uma economia de quase 85 bilhões de litros. Ao ser levantado já nesta pré-campanha, o assunto é alvo de objeção de Haddad, que diz que não teria privatizado a estatal, mas que o PT “respeita contratos”.

— Os governos do PT respeitam contratos. Nos quatro governos do PT que começaram e terminaram o mandato, sempre respeitamos contrato porque entendemos que o desrespeito ao contrato acaba trazendo muito mais prejuízo do que ganhos para uma economia séria e respeitada como a do Brasil — disse o ex-ministro da Fazenda após anunciar a pré-candidatura.

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Em resposta, o governador defende que, caso a desestatização não fosse realizada, a companhia poderia perder mercados relevantes, colocando a própria sustentabilidade em xeque.

— Com o novo marco do saneamento, à medida que os contratos programáveis fossem vencendo, e cada município tinha o seu, seria necessário fazer novas licitações, que poderiam ser vencidas pela própria Sabesp ou por outras empresas. Se outra empresa entrasse no mercado da Sabesp, haveria perda de algo fundamental no saneamento, que é a escala e o compartilhamento de infraestrutura — disse, no mês passado, em entrevista ao SBT.

Além de discordarem sobre a privatização, os dois têm disputado a paternidade de investimentos feitos no estado. Em um vídeo publicado nas redes sociais no início deste mês, Haddad afirmou que o governo estadual esconde os investimentos da gestão federal, como na construção do Trem Intercidades, que ligará a capital até Campinas, e nas obras de expansão do metrô da capital paulista.

Em resposta, Tarcísio afirmou que há uma tentativa de “se apropriar da obra alheia” depois de “em algum momento no passado o BNDES ou a Caixa emprestarem um dinheiro”. Outras iniciativas, como o túnel Santos-Guarujá e o futuro hospital inteligente da Universidade de São Paulo (USP), financiados pelos dois entes, também têm potencial para ser usados como vitrines.

Apontado como o principal problema do estado por 36% dos eleitores ouvidos pela Quaest divulgada na semana passada, a violência também mobilizará os postulantes. De um lado, durante este mandato, o governador defende a adoção de uma linha-dura em relação à atuação da polícia e da pasta de Segurança Pública, comandada por Guilherme Derrite, pré-candidato ao Senado pelo PP, até o final do ano passado. Do outro, Haddad se alinha ao governo federal na defesa do enfrentamento do crime organizado, via ações de inteligência, e da PEC da Segurança Pública, alvo de críticas da oposição, que argumenta que o texto ocasionará a perda de autonomia dos estados.

No campo das costuras eleitorais, Tarcísio e Haddad enfrentam o mesmo problema: a indefinição das chapas para o Senado. No caso do governador, há uma disputa interna do PL pela segunda vaga, uma vez que a primeira será destinada a Derrite. Entre os cotados estão o presidente da Assembleia Legislativa do estado (Alesp), André do Prado (PL), que buscou o aval do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro era nome certo para a vaga antes de deixar o Brasil no ano passado. O presidente da Alesp conta com o apoio do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto.

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Concorrência

No PL, outros nomes manifestam interesse pela vaga: o deputado federal Mário Frias, o vice-prefeito da capital Ricardo Mello Araújo e a deputada federal Rosana Valle , que tem o apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

No campo da esquerda, Haddad tem como opções para o Senado três nomes que também ocuparam a Esplanada: Simone Tebet (PSB), do Planejamento; Marina Silva (Rede), do Meio Ambiente; e Márcio França, do Empreendedorismo. Até o momento, a indicação de Tebet é a única dada como certa.

Ao ter o nome testado na Quaest, ela apareceu numericamente na frente dos adversários, registrando 14% das intenções de voto, seguida de França e de Marina, ambos com 12%. O levantamento mostrou que os três desempenham acima de Derrite, que teve 8%, e de André do Prado, 5%, além do deputado federal Ricardo Salles (Novo), que contabiliza 6% e também disputa o apoio de Tarcísio.

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