A TAP Air Portugal inaugura em 2 de julho o primeiro voo direto de Lisboa a Curitiba. A decisão da companhia é uma resposta não só ao mercado de turismo, que continua aquecido, mas ao fato de Portugal atrair cada vez mais residentes estrangeiros e se manter como a principal porta de entrada para brasileiros no continente europeu.
No primeiro trimestre de 2026, o Brasil foi o quinto país que mais movimentou os aeroportos portugueses, ficando atrás de Reino Unido, França, Espanha e Alemanha. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE) português, mais de 446 mil pessoas saíram do Brasil com destino a Portugal, de janeiro a março de 2026, um aumento de 23,3% em relação ao mesmo período de 2025. Ao mesmo tempo, 414 mil pessoas fizeram o trajeto contrário, um aumento de 26,2% em relação a 2025.
A nova operação da TAP contará com três voos semanais (terças, quintas e sábados), operados por aeronaves Airbus A330-200 com capacidade para 269 passageiros. O modelo de voo é triangular: a aeronave parte do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, aterrissa no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em Curitiba, segue para o Rio de Janeiro (Galeão) e, de lá, retorna à capital portuguesa. Com a inclusão da capital paranaense e a previsão de voos para São Luís em outubro, a companhia encerrará o ano atendendo 15 cidades brasileiras.

Turistas, novos residentes, escala em Lisboa
Nesse cenário, Lisboa tem sido um dos destinos mais procurados por brasileiros para o turismo, depois do Porto. Um indicativo desse movimento são os dados do INE relacionados à participação de brasileiros na ocupação hoteleira. Em janeiro e fevereiro de 2026, a capital portuguesa registrou um aumento de 3,9% no número de hóspedes e de 3,1% em pernoites, em relação ao mesmo período em 2025, superando a média nacional. Nesse cenário, os pernoites de brasileiros cresceram 19,6% no acumulado de janeiro e fevereiro em relação a 2025, também segundo o INE.
“Esse é um momento importante na relação Brasil-Portugal”, afirma António Valle, diretor-geral da Associação Turismo de Lisboa. Segundo ele, os brasileiros podem ir além dos passeios já conhecidos na cidade e dar um “salto de relação emocional” com Portugal vivendo costumes do país que, de certa forma, acabaram sendo reproduzidos no Brasil, como as marchas em Lisboa na festa religiosa de Santo Antônio. “Não queremos só que venham, mas que sintam Lisboa”, diz.
A curitibana Luana Nóbrega, que trabalhou dez anos com turismo e deixou a capital paranaense há menos de um ano para administrar um hostel em Ponte de Lima, ao Norte de Portugal, explica que o país atrai por vários motivos. “Ao mesmo tempo que tem muitas opções de turismo em poucos quilômetros – praia, sol, montanha, neve, estilo rural, urbanismo, cultura, construções da Antiguidade etc. –, é um país organizado, relativamente seguro e com preços mais acessíveis comparados a outros países da Europa”, afirma.
Mas ela convida os brasileiros a explorarem outros destinos, além de Lisboa e Porto. “Tem muita coisa boa”, diz. “Para quem quer aventura, tem o caminho de Santiago, subir morro, cachoeira. Você pode viver um pouco na cidade como Lisboa e Porto que tem uma oferta de cultura e história maravilhosa. Mas pode curtir uma praia, tanto lá no Algarve quanto aqui no Norte também. E beber os famosos vinhos portugueses”, cita.

Mercado imobiliário
Apesar do aumento das restrições para a imigração, os brasileiros também continuam investindo em imóveis em Portugal. Segundo o INE, em 2025, os brasileiros lideraram o ranking de estrangeiros que mais compraram imóveis em Portugal, 9.808 aquisições, um crescimento de 27,5% em relação a 2024.
No mercado em geral, compradores com domicílio fiscal fora de Portugal investiram 3,4 mil milhões de euros em habitação em 2025. A alta procura fez com que o valor por metro quadrado, em fevereiro de 2026, atingisse 2.122 euros, um aumento de 17,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para apartamentos, o valor chegou a 2.478 euros por metro quadrado, com alta de 21,9%.
Para os brasileiros que quem morar em Portugal, Luana Nóbrega recomenda a não entrar como turista e “ir ficando”. “A minha dica é: venha de forma legalizada. Visto de procura de trabalho, visto de trabalho, visto de empreendedor. Não é fácil, mas na medida que você está aqui, faz as coisas direito, paga seus impostos direito, tem uma boa convivência, você é muito bem-vindo pelos portugueses.”
*A jornalista viajou a Portugal a convite da TAP.
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