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Flávio nega repasse de dinheiro do filme de Bolsonaro para Eduardo: “Mentira, ilação”

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta-feira (14) que os recursos captados para a realização do filme sobre seu pai, Dark Horse, não teriam como destinatário final seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Ele chamou de “mentira” e “torcida contra” a ventilação do assunto.

Após denúncia de governistas, os maiores jornais do país noticiaram que uma investigação da Polícia Federal (PF) teria sido instalada para investigar se o ex-deputado teria recebido US$ 2 milhões do dinheiro arrecadado para a produção do filme.

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A suspeita é de que recursos de Daniel Vorcaro estariam sendo levados a uma conta ligada ao advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Procurada, a Polícia Federal (PF) não respondeu ao contato da reportagem da Gazeta do Povo para confirmar ou desmentir esta apuração. O espaço segue aberto.

De acordo com Flávio, todos os recursos aportados para este fundo foram destinados ao filme e o advogado seria apenas uma “pessoa de confiança”.

“Não é algo, como querem induzir, que vai fazer um caminho e chegar no Eduardo. Isso é mentira, isso é criminoso, é ilação, é torcida contra”, declarou Flávio em entrevista à GloboNews. “O advogado apenas é gestor do fundo por ser uma pessoa de confiança. O dinheiro é privado e foi integralmente para o filme”, prosseguiu.

Áudio com cobrança

Nesta quarta-feira, a versão nacional do site americano The Intercept publicou um áudio e uma série de mensagens em que o senador faz uma cobrança de valores ao banqueiro Daniel Vorcaro na véspera de sua prisão. Após esta revelação, o financiamento do filme tornou-se tema de debate.

Em nota divulgada à imprensa, o senador não desmentiu o pedido, mas afirmou que o que aconteceu “foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado”. O deputado federal Mário Frias (PL-SP) negou na quarta-feira que o dinheiro de Vorcaro tenha sido usado para a produção, contradizendo o próprio correligionário. Nesta quinta-feira, mudou a versão e adotou um tom mais cauteloso.

“Jeito carioca”

Na entrevista desta quinta, ao comentar o tom das mensagens trocadas com Vorcaro. nas quais utiliza expressões como “irmão”, “irmãozão” e “tamo junto”, Flávio disse que era apenas seu modo carioca de falar e negou proximidade com o banqueiro. Segundo ele, a cobrança feita posteriormente ocorreu porque parcelas previstas deixaram de ser pagas e negou proximidade.

“É o meu linguajar, é como eu falo com as pessoas”, declarou.

Após a entrevista, a campanha de Flávio divulgou uma nota oficial em que recapitula argumentos que o senador usou com os jornalistas. De acordo com o pré-candidato, dizer que suas relações equivaleriam às de outros acusados seria “uma distorção política inaceitável”.

Confira na íntegra:

NOTA OFICIAL

É preciso restabelecer os fatos e separar investigação séria de tentativa de contaminação política.

Minha participação no projeto do filme sobre o presidente Jair Bolsonaro limitou-se à busca de investimento privado para uma obra cultural privada, produzida nos Estados Unidos, sem recurso público, sem Lei Rouanet, sem Embratur, sem prefeitura e sem qualquer contrapartida ligada ao meu mandato.

Me relacionei com Daniel Vorcaro estritamente no papel de um filho que buscava patrocínio de um empresário para o filme em homenagem ao pai. Não houve doação, favor, empréstimo pessoal, camaradagem ou vantagem política. Ele fez um investimento que previa retorno financeiro conforme o desempenho comercial da obra. Também é falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro: os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.

A linha do tempo é decisiva. O contato ocorreu em 2024 quando os fatos hoje atribuídos a Vorcaro não eram conhecidos publicamente. À época, ele circulava normalmente no mercado, patrocinava eventos, programas de TV e iniciativas empresariais, inclusive evento empresarial em Nova York, promovido por um grande grupo de comunicação braseiro, em maio de 2024, no qual foi apresentado ao mercado americano.

É nesse contexto que buscamos o investimento no filme.

Quando os aportes deixaram de ser cumpridos e as acusações vieram a público, a relação foi encerrada e outros investidores foram buscados.

Não vou aceitar que nos misturem com os bandidos do PT. As relações são completamente distintas. Não houve reunião fora de agenda com presidente da República, pagamento a ex-ministro por acesso ao governo, contrato milionário com o ministro da justiça, que é o chefe da PF, nem houve qualquer promessa de favorecimento ao banqueiro.

Tentar colocar todos na mesma vala é uma distorção política inaceitável.

Por isso, defendo que todos os fatos sejam investigados com rigor e transparência. Por isso, exigimos a CPI do Master já.

Atualização

Atualizada às 21h para incluir nota oficial de Flávio Bolsonaro.

Atualizado em 14/05/2026 às 21:05

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