A relação construída pela família Bolsonaro com Donald Trump deixou de garantir exclusividade política junto ao governo americano. A avaliação, feita por analistas durante o Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, é que a aproximação recente entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos enfraqueceu uma das principais vitrines internacionais do bolsonarismo.
Durante anos, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) buscou consolidar a imagem de interlocutor preferencial do trumpismo na América Latina, apostando em alinhamento ideológico, proximidade com a direita americana e articulação junto a aliados do Partido Republicano.
Mas o encontro recente entre Lula e Trump, em Washington, pode ter alterado essa dinâmica.
“Desde que houve essa química entre Trump e Lula, essa articulação do Eduardo Bolsonaro vem se enfraquecendo”, afirmou o analista político Leopoldo Vieira, da IdealPolitik.
Segundo ele, o cenário internacional passou a ser guiado mais pelos interesses estratégicos dos Estados Unidos do que pela afinidade ideológica construída ao longo dos últimos anos.
Trump prioriza pragmatismo
A avaliação se baseia na postura de Trump passou a enxergar o Brasil sob uma lógica econômica e geopolítica mais ampla, especialmente diante da disputa global por minerais críticos, segurança energética e reorganização das cadeias industriais.
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Nesse contexto, Lula deixou de ser visto apenas como um presidente de esquerda da América Latina e passou a ocupar espaço relevante para interesses americanos na região.
“Lula e Trump provaram quem conduz esse relacionamento”, afirmou Leopoldo Vieira.
Para ele, o episódio mostrou que a política externa americana tende a funcionar de forma pragmática, independentemente da preferência ideológica de grupos políticos brasileiros.
A leitura é que Trump passou a tratar o governo brasileiro como parceiro estratégico em temas considerados prioritários para os EUA, reduzindo o peso político das conexões pessoais cultivadas pela família Bolsonaro.
Eduardo perde diferencial político
A mudança afeta diretamente Eduardo Bolsonaro, que transformou sua relação com o trumpismo em um ativo político interno nos últimos anos.
O ex-deputado atuou em agendas internacionais ligadas à direita conservadora, participou de eventos do entorno republicano e buscou se apresentar como ponte entre o bolsonarismo e Washington. Agora, porém, analistas avaliam que esse diferencial perdeu força.
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“A foto é suficiente para que o presidente trabalhe a narrativa de soberania e de estadista”, afirmou a analista de política da XP, Bárbara Baião, ao comentar o encontro entre Lula e Trump.
Segundo ela, mesmo que política externa não seja fator decisivo para o voto, o episódio produz impacto simbólico relevante. “O eleitor não vota por política externa, mas isso é um elemento forte”, disse.
Bolsonarismo tenta preservar narrativa
Nos bastidores, aliados de Flávio Bolsonaro tentam minimizar os efeitos do encontro entre Lula e Trump e argumentam que a relação construída pela família com a direita americana continua sólida.
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Ainda assim, integrantes da direita admitem reservadamente que a aproximação entre os dois presidentes reduziu a capacidade do bolsonarismo de monopolizar o discurso de alinhamento com os Estados Unidos.
A preocupação aumentou porque a política externa vinha funcionando como um dos poucos temas em que o bolsonarismo conseguia manter diferenciação simbólica clara em relação ao governo Lula.
Agora, a leitura de analistas é que Trump passou a operar numa lógica menos ideológica e mais transacional, o que reduz o espaço de influência pessoal da família Bolsonaro dentro da Casa Branca.
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O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.
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