quarta-feira , 15 abril 2026
💵 DÓLAR: Carregando... | 💶 EURO: Carregando... | 💷 LIBRA: Carregando...

Governo Lula suspendeu parcialmente BPC por quase 6 meses e represou 740 mil pedidos

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) interrompeu parcialmente, por quase seis meses, a concessão de novos pedidos do Benefício de Prestação Continuada (BPC) no ano passado, gerando um represamento de cerca de 740 mil solicitações e ampliando a fila para 3 milhões de requerimentos. A suspensão parcial ocorreu entre o fim de junho e meados de dezembro, período em que os beneficiários chegaram a cumprir etapas como perícia médica e avaliação social, mas não tiveram acesso ao pagamento.

Segundo documentos oficiais obtidos pela Folha de S. Paulo publicados nesta quarta-feira (15), a paralisação coincidiu com ajustes técnicos que estavam sendo realizados no Dataprev, a empresa que presta serviço de processamento de dados para o INSS, decorrentes de alterações aprovadas no fim de 2024 que modificaram critérios para acesso ao benefício.

À Gazeta do Povo, o Ministério do Desenvolvimento Social contestou a afirmação de que houve interrupção na concessão do BPC, ressaltando que a análise dos pedidos continuou sendo feita e que apenas os processos protocolados após a publicação do decreto que alterou os critérios é que foram temporariamente paralisados.

“Foram sobrestados apenas os processos protocolados após a publicação do Decreto nº 12.534, de 25 de junho de 2025, especificamente aqueles que dependiam de ajustes no critério de renda. Ainda assim, etapas como a avaliação biopsicossocial seguiram sendo realizadas normalmente para todas as demandas. As concessões dos processos enviados após a publicação do decreto foram retomadas em dezembro de 2025, após a conclusão dos ajustes sistêmicos”, pontuou em nota à reportagem (veja na íntegra mais abaixo).

VEJA TAMBÉM:

A Gazeta do Povo procurou também o Ministério da Previdência Social e o INSS para se pronunciarem sobre a apuração e aguarda retorno.

Segundo a apuração da Folha de S.Paulo, a interrupção na concessão do BPC levou a uma redução artificial imediata das despesas públicas no curto prazo, já que parte dos pagamentos ficou represada. Por outro lado, a medida gerou um efeito rebote nas contas, com acúmulo de atrasados e correção monetária que aumentaram a fatura futura do governo.

Dados do INSS indicam que o passivo chegou a R$ 2,1 bilhões em apenas quatro meses, sendo R$ 287,6 milhões pagos ainda em dezembro de 2025 e R$ 1,84 bilhão quitados entre janeiro e março de 2026. Parte desses valores foi empurrada para o ano seguinte após solicitação do Ministério do Desenvolvimento Social para reorganizar o fluxo de pagamentos.

Embora o ministério sustente que “não houve insuficiência orçamentária em 2025”, relatos internos apontam preocupação com espaço no Orçamento diante da liberação simultânea de até 200 mil benefícios. Em ofício, a pasta pediu que os pagamentos fossem ajustados para janeiro de 2026 “para garantir melhor fluxo operacional”.

A origem do problema está na mudança da regra de cálculo da renda familiar, que passou a restringir descontos antes permitidos por decisões judiciais, como gastos com saúde. A nova legislação fechou essas brechas e exigiu adaptação dos sistemas, processo que levou cerca de seis meses para ser regulamentado e implementado.

Documentos internos revelam que o sistema de concessão foi desligado em 26 de junho de 2025 para pedidos feitos após essa data. “Tal medida se tornou necessária uma vez que o decreto não estabeleceu período para adaptação dos sistemas às novas regras de cálculo da composição de renda familiar”, registra memorando técnico da Dataprev.

O efeito prático foi a queda no ritmo de concessões, que passou de uma média de 64,4 mil benefícios mensais no primeiro semestre de 2025 para 38,4 mil no segundo semestre. Ao mesmo tempo, o estoque de pedidos explodiu, saltando de 191 mil em julho para 740 mil em novembro.

A retomada começou em dezembro de 2025, mas ainda em ritmo lento, com média de 30,2 mil concessões mensais até janeiro. Somente em fevereiro e março de 2026 houve aceleração, com 116,6 mil e 90,4 mil benefícios liberados, respectivamente.

Apesar de declarações oficiais de que “não houve desligamento de nenhuma ferramenta”, o próprio documento contradiz essa versão ao apontar a interrupção direta na rotina de concessão. Posteriormente, a empresa afirmou que ficaram pendentes apenas os casos que dependiam das novas regras de renda.

O que dizem os citados

Veja abaixo, na íntegra, o posicionamento do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) sobre a interrupção parcial na concessão do BPC pelo INSS:

A análise dos requerimentos do BPC pelo INSS não foi interrompida em nenhum momento. Foram sobrestados apenas os processos protocolados após a publicação do Decreto nº 12.534, de 25 de junho de 2025, especificamente aqueles que dependiam de ajustes no critério de renda.

Ainda assim, etapas como a avaliação biopsicossocial seguiram sendo realizadas normalmente para todas as demandas. As concessões dos processos enviados após a publicação do decreto foram retomadas em dezembro de 2025, após a conclusão dos ajustes sistêmicos.

Nesse contexto, a manchete da referida matéria da Folha de S. Paulo não corresponde à realidade, uma vez que não houve interrupção nas concessões do BPC ao longo de 2025. A própria reportagem apresenta dados que evidenciam a continuidade das concessões, o que demonstra o caráter equivocado da manchete.

Apenas no segundo semestre, foram registradas 55.873 concessões em julho, 51.143 em agosto, 39.545 em setembro, 34.033 em outubro, 23.456 em novembro e 27.374 em dezembro.

Além disso, o volume acumulado de requerimentos de BPC em análise não chegou a um terço dos 3 milhões mencionados na matéria. O próprio gráfico apresentado pela reportagem indica que esse número alcançou cerca de 933 mil processos.

fonte

Verifique também

Após fracasso, Lula tenta novo programa para aliviar endividamento às vésperas da eleição

Pressionado pelo calendário eleitoral, o governo Lula corre para atacar o que identifica como o …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *