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“Tubarão”, operador financeiro ligado a “Dandão”, é alvo de operação contra lavagem de dinheiro em MT

O faccionado W.A.F, conhecido como “Tubarão”, apontado como operador financeiro de uma organização criminosa em Mato Grosso, é o principal alvo da Operação Arpão, deflagrada pela Polícia Civil na manhã de hoje (10). Ele possui vínculo familiar com Sebastião Lauze Queiroz de Amorim, vulgo “Dandão” ou “Dono da Quebrada”, apontado como uma das lideranças da facção no estado.

A operação apura um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ligado ao grupo criminoso. Segundo as investigações, “Tubarão” utilizava mecanismos especializados para a lavagem de dinheiro, entre eles o uso de familiares e pessoas próximas como “laranjas” para registrar bens e movimentar valores com o objetivo de dissimular a origem criminosa do patrimônio e ocultar quem era o verdadeiro proprietário.

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As apurações indicam que imóveis e veículos de alto padrão eram registrados em nome de terceiros, embora continuassem sendo utilizados e controlados pelos investigados, dificultando a vinculação direta do patrimônio ao criminoso.

A compra de bens de alto valor era outra estratégia utilizada para transformar o dinheiro ilícito em bens aparentemente legais, como imóveis e veículos de alto padrão avaliados em mais de R$ 500 mil.

A investigação aponta que o patrimônio adquirido era incompatível com a renda declarada pelos investigados, reforçando a suspeita de lavagem de capitais. Também foram identificadas movimentações financeiras consideradas atípicas, como depósitos em espécie, pagamentos de alto valor em curto período e transações fracionadas.

A ação faz parte de uma ofensiva da Polícia Civil contra o núcleo financeiro da facção ligada a “Dandão”. Paralelamente à Operação Arpão, os investigadores também deflagraram, na mesma manhã, a Operação Retirada, que atingiu outro braço da estrutura financeira da organização criminosa.

Entre os alvos da segunda operação está um sobrinho de “Dandão”, além de outras pessoas ligadas ao grupo. De acordo com as investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cuiabá, os investigados atuavam em diferentes etapas da movimentação do dinheiro ilícito.

Enquanto o grupo ligado à Operação Retirada era responsável por operacionalizar saques e transferências de valores por meio de contas de “laranjas”, o núcleo investigado na Operação Arpão atuaria na lavagem e ocultação do patrimônio, transformando o dinheiro proveniente de crimes em bens aparentemente legais.

Na Operação Arpão, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares e sequestro de imóveis e veículos de alto padrão. Já na Operação Retirada, a Justiça autorizou quatro mandados de prisão e quatro de busca e apreensão, além de quebras de sigilo e sequestro de veículos.

Renorcrim

As duas operações fazem parte das ações da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim). A rede reúne delegados titulares das unidades especializadas e promotores públicos dos 26 estados e do Distrito Federal e é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (DIOPI) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), para traçar estratégias de inteligência de combate duradouro à criminalidade.


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