terça-feira , 10 março 2026
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Em menos de 24h, três operações atingem policiais do Rio por ligação com facções

Em menos de 24 horas, ao menos 24 policiais foram alvo de prisões em três operações distintas no Rio, suspeitos de envolvimento com o crime organizado. As investigações, duas da Polícia Federal e uma do Ministério Público do Rio, atingiram um delegado da Polícia Federal, um delegado e outros três agentes da Polícia Civil e 18 policiais militares e penais, da ativa e da inativa, além de um policial civil aposentado investigados por esquema do bicheiro Rogério de Andrade .

Embora conduzidas por órgãos diferentes, as três investigações mostram diferentes níveis de infiltração do crime organizado nas forças de segurança — desde a proteção direta a contraventores até a negociação de favores a traficantes internacionais e a extorsão de integrantes de facções.

As ações foram realizadas entre segunda-feira e a manhã desta terça-feira e apontam três formas distintas de cooptação de agentes públicos por organizações criminosas, incluindo favorecimento a traficantes internacionais, extorsão de integrantes do tráfico e atuação direta na segurança armada de pontos do jogo do bicho.

Delegado da PF preso por favorecer traficante internacional

O primeiro caso ocorreu na segunda-feira, quando a Polícia Federal prendeu o delegado Fabrizio Romano, da Delegacia de Repressão a Crimes Previdenciários, suspeito de integrar um esquema que negociava vantagens indevidas para favorecer um traficante internacional de drogas.

A prisão ocorreu na Operação Anomalia, que cumpriu quatro mandados de prisão preventiva determinados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

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Segundo as investigações, o delegado recebia pedidos para intervir em processos e favorecer criminosos em troca de dinheiro. Uma das negociações investigadas envolvia a tentativa de interferir no processo de refúgio do traficante internacional Gerel Palm, procurado pela Interpol e preso no Rio há cinco anos.

A PF afirma que o pedido teria sido intermediado pelo advogado Alessandro Carracena, ex-secretário estadual de Esportes no governo Cláudio Castro e ex-secretário municipal de Ordem Pública na gestão Marcelo Crivella.

A investigação teve origem na análise do celular de Carracena, apreendido em 2025, que revelou mensagens com o delegado pedindo interferência no caso do traficante. Em troca, teria sido oferecido pagamento de R$ 150 mil.

Delegado e policiais civis são investigados por extorsão de traficantes

Já na manhã desta terça-feira, a Polícia Federal deflagrou a Operação Anomalia II, que teve como alvo um núcleo criminoso formado por policiais civis do Rio e operadores financeiros.

Foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva — contra um delegado da Polícia Civil, três agentes e um traficante já preso — além de mandados de busca e apreensão na capital.

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De acordo com a PF, o grupo utilizava a estrutura de uma delegacia para extorquir dinheiro de integrantes do Comando Vermelho.

As investigações apontam que os policiais enviavam intimações com o objetivo de pressionar traficantes a pagar propina, sob ameaça de ações policiais ou avanço de investigações. As cobranças eram feitas com imposição de prazos e valores considerados elevados pelos investigadores.

Para receber o dinheiro e evitar contato direto com os criminosos, os policiais contavam com dois intermediários, responsáveis por recolher os pagamentos.

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Além das prisões, o STF determinou medidas cautelares como afastamento dos agentes de suas funções, bloqueio de contas bancárias e de criptoativos e suspensão de atividades empresariais ligadas ao esquema.

Durante a operação, policiais federais apreenderam dinheiro em espécie na casa de um dos policiais civis investigados, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

19 agentes denunciados por atuar na segurança do bicheiro Rogério de Andrade

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Também nesta terça-feira, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio denunciou 19 policiais que integrariam o núcleo de segurança do bicheiro Rogério de Andrade, na região de Bangu.

Ao todo, foram expedidos 20 mandados de prisão preventiva, incluindo o do próprio contraventor.

Entre os denunciados estão 18 policiais militares e penais — da ativa e da reserva — e um policial civil aposentado, que segundo o Ministério Público foi cooptado pela organização criminosa quando ainda estava na ativa.

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De acordo com a denúncia, o grupo atuava na segurança armada de pontos de exploração ilegal de jogos de azar, garantindo o funcionamento das atividades do bicheiro e utilizando práticas sistemáticas de corrupção para evitar repressão policial.

Os investigados vão responder pelos crimes de organização criminosa armada, corrupção ativa e passiva, com agravantes pelo envolvimento de funcionários públicos e pela conexão com outras organizações criminosas.

Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da capital e são cumpridos em endereços no Rio, Belford Roxo, Duque de Caxias, Mangaratiba, Nilópolis e São João de Meriti, além da Penitenciária Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.

Entre os policiais militares denunciados há agentes lotados na Subsecretaria de Gestão de Pessoas da PM, no Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE) e nos 4º, 6º, 14º, 17º, 22º, 23º e 41º batalhões da corporação.

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