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Instituto Ibrace foi cooptado para desvio de emendas; 66% foram destinadas por Chico 2000, aponta investigação

MÁRCIA MATOS

DO REPÓRTERMT

O relatório da investigação da Operação Gorjeta, apresentado pela Polícia Civil à Justiça, indica que o Instituto Instituto Brasil Central (IBRACE), associação privada sem fins lucrativos foi cooptado para a prática de crimes contra a administração pública, por meio de desvio de emendas parlamentares, sendo a maioria delas destinadas pelo vereador Chico 2000, que foi afastado do cargo por ordem da Justiça.

Entre 22 de novembro de 2022 e 09 de abril de 2025 o IBRACE recebeu R$ 5.489.787,00 (cinco milhões, quatrocentos e oitenta e nove mil, setecentos e oitenta e sete reais) do município de Cuiabá. Desse montante, R$ 3.650.000,00 (três milhões, seiscentos e cinquenta mil reais) foram recebidos por intermédio de emendas parlamentares impositivas destinadas pelo vereador Chico 2000, o que representa 66% do montante recebido.

Reprodução

emendas ibrace

 

O relatório da polícia também aponta que entre 2023 e 2025, foram destinadas ao IBRACE 20 emendas parlamentares, sendo 12 delas com vinculação entre o IBRACE e a empresa Sem Limite Esporte e Eventos – Chiroli Esportes ou João Nery Chiroli ou Chiroli Uniformes.

“Em que pese seja constituída como associação de direito privado sem fins lucrativos, dois elementos indicam se tratar de empresa cooptada pela associação criminosa para desvio de recursos públicos. O primeiro indício é o compartilhamento de sede com outro instituto e uma empresa, e, o segundo elemento, refere-se à coincidência de associados que fazem parte de um outro instituto constituído como entidade privada sem fins lucrativos, que possui sede no mesmo endereço que o IBRACE, a saber, o Instituto Social Mato-Grossense – ISMAT e também está instalada a sede de uma empresa denominada MT-Mensura”, destaca o relatório.

Leia mais: Empresário e servidores da Câmara de Cuiabá são alvos da operação que investiga esquema de emendas

Também chamou a atenção da polícia o fato de o vereador Chico 2000, enquanto presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, ter sido o responsável pela elaboração do atestado de capacidade técnica em favor do IBRACE. A  circunstância causou estranheza, sobretudo diante da demonstração de relação próxima entre Chico e os administradores do instituto.

O IBRACE possui um objeto social genérico voltado ao bem-estar social, sem foco específico na organização de eventos, não correspondente direta e exatamente à organização de práticas esportivas. A polícia aponta que a extensa lista de objetivos em seu Estatuto Social dificulta a definição da identidade e da área de atuação precisa da entidade.

Outro ponto ressaltado é o estreito vínculo entre o IBRACE e as empresas investigadas Sem Limite Esportes e Eventos (Chiroli Esportes) e Chiroli Uniformes, já que a maior parte dos valores recebidos pelo instituto foram repassados às empresas de João Nery Chiroli.

A investigação aponta que a empresa de Chiroli era a real organizadora das corridas para as quais as emendas eram destinadas.

O caso

São investigados pelos crimes de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro o vereador Chico 2000; o empresário João Nery Chiroli; os servidores da Câmara Municipal de Cuiabá Rubens Vuolo Júnior, chefe de gabinete do vereador Chico 2000, e Joaci Conceição Silva, lotado no gabinete do vereador Mário Nadaf (PV); Alex Jones Silva, presidente do Instituto Brasil Central (IBRACE); e Magali Gauna Felismino Chiroli. Eles teriam lesado a Câmara Municipal de Cuiabá e a Prefeitura da Capital por meio de esquema de desvio de emendas parlamentares.


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