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STJ manda prender policiais acusados de simular confronto para esconder arma que matou advogado

VANESSA MORENO

DO REPÓRTERMT

A ministra do Superior Tribunal de Justiça, Maria Marluce Caldas, determinou a prisão dos policiais militares Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Wailson Alesandro Medeiros Ramos e Wekcerlley Benevides, acusados de forjar um confronto para dar fim à arma usada para matar o advogado Renato Nery, assassinado em julho de 2024, em Cuiabá.

A decisão atende a recurso apresentado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que argumentou que os requisitos para a prisão ainda estão presentes. O MP aponta que os quatro PMs integram um grupo de extermínio e que o falso confronto resultou na morte de um jovem de 26 anos e deixou dois adolescentes de 16 anos feridos.

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“Ante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea “c”, do RISTJ, conheço do agravo para conhecer do recurso especial e, nessa extensão, dar-lhe provimento, a fim de, nos termos do art. 312 do Código de Processo Penal, decretar a prisão preventiva de Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Wailson Alesandro Medeiros Ramos e Wekcerlley Benevides”, diz trecho da decisão publicada no último dia 13 de fevereiro.

Os policiais foram denunciados por um homicídio qualificado e duas tentativas de homicídio qualificadas, além de outros crimes, e chegaram a ser presos preventivamente. Contudo, um juiz de primeira instância revogou a prisão e concedeu-lhes liberdade provisória com medidas cautelares.

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O MP recorreu ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que manteve a liberdade dos quatro sob a alegação de ausência dos requisitos para a prisão.

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Em recurso especial apresentado ao STJ, o Ministério Público apontou a gravidade da conduta e a periculosidade de Jorge Rodrigo, Leandro Cardoso, Wailson Alesandro e Wekcerlley Benevides, além do risco de reincidência, uma vez que todos estavam soltos e já haviam retornado às atividades como policiais.

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Embora o TJMT tenha afirmado que não há novos elementos que justifiquem risco atual, a ministra Marluce Caldas observou que há elementos nos autos que demonstram a necessidade da prisão preventiva para garantir a ordem pública e a instrução processual.

Ela reconheceu que os acusados simularam o confronto armado para ocultar a ligação com o homicídio do advogado Renato Nery. Além disso, uma das armas apresentadas estava vinculada a outros homicídios, inclusive com uso de munição da polícia.

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O falso confronto

Jorge Rodrigo Martins, Wailson Alesandro Medeiros Ramos, Wekcerlley Benevides e Leandro Cardoso respondem por terem forjado um confronto policial no Contorno Leste, em Cuiabá. Na ação, teriam matado um jovem de 26 anos e ferido dois adolescentes de 16.

Após o falso confronto, a arma supostamente encontrada no local foi entregue em mãos por Jorge Rodrigo. Posteriormente, a perícia constatou que a pistola, que possui seletor de tiro automático e foi adaptada para disparos em rajada, é a mesma usada para assassinar Renato Nery, em 2024, e outra vítima, em 2022.

No boletim de ocorrência sobre o confronto, os quatro PMs inseriram informações falsas.

Durante as investigações sobre a morte do advogado, eles chegaram a ser presos, mas foram soltos por determinação da 14ª Vara Criminal de Cuiabá.

Eles são acusados de homicídio qualificado, tentativa de homicídio qualificado, fraude processual, porte ilegal de arma de fogo e organização criminosa.

Em agosto, Jorge Rodrigo, Leandro, Wailson e Wekcerlley receberam permissão para voltar ao trabalho.

O assassinato de Renato Nery

O advogado Renato Nery foi assassinado no dia 5 de julho de 2024, em frente ao seu escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Ele foi atingido por sete tiros, chegou a ser socorrido, mas não resistiu e morreu na madrugada do dia seguinte.

A motivação seria uma disputa judicial por uma área de mais de 12 mil hectares localizada no município de Novo São Joaquim. Após décadas, Renato Nery tornou-se coproprietário da terra, o que teria causado insatisfação no casal de empresários Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi, de Primavera do Leste (a 234 km de Cuiabá), apontados como mandantes do crime.

As investigações também identificaram a participação dos policiais militares Ícaro Nathan Santos Ferreira, Jackson Pereira Barbosa e Heron Teixeira Pena Vieira, que teriam atuado como intermediários.

O executor foi identificado como Alex Roberto de Queiroz Silva.

O crime teria sido executado mediante promessa de pagamento de R$ 200 mil.

Todos estão presos, mas ainda não foram condenados.

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