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Setor de combustíveis alerta para o fim dos estoques e diz que diesel pode faltar no Brasil

ANA JÁCOMO

DO REPÓRTERMT

As principais entidades do setor de combustíveis do Brasil, incluindo a Fecombustíveis, Abicom e Refina Brasil, divulgaram uma nota oficial hoje (20) com um alerta de que o país corre risco real de desabastecimento de diesel.

O documento afirma que, apesar do pacote de R$ 30 bilhões anunciado pelo Governo Federal para segurar os preços, a estrutura de formação do mercado impede que o desconto de R$ 0,64 chegue efetivamente à bomba do consumidor.

Segundo as entidades, os instrumentos adotados pelo presidente Lula (PT) têm relevância para minimizar custos, mas seus efeitos dependem de condições de suprimento e tributação ao longo de toda a cadeia.

O setor explica que o consumidor compra o “diesel B” (com 15% de biodiesel), enquanto as medidas federais focam no “diesel A”. Na prática, o aumento de R$ 0,38 anunciado pela Petrobras anulou parte do incentivo, resultando em um impacto de aproximadamente R$ 0,32 por litro no produto comprado pelos motoristas.

Além disso, a nota destaca que refinarias privadas e importadoras seguem os preços internacionais, que dispararam devido ao conflito no Oriente Médio. “Diante desse cenário, se faz necessária a adoção de providências com a maior brevidade possível, de modo a evitar o agravamento dos riscos de desabastecimento nacional“, diz trecho da nota conjunta.

Mauro Mendes reage

Em Mato Grosso, o governador Mauro Mendes (União) já havia criticado hoje (20) a pressão de Brasília para que os estados zerem o ICMS do diesel. Ele classificou a proposta de reembolso do Governo Federal como insuficiente e afirmou que Mato Grosso não vai comprometer o financiamento de políticas públicas por decisões tomadas pela União.

Mauro Mendes

Mauro Mendes detona pressão de Brasília: “Não vou tirar da saúde para dar lucro a gringo”

O governador destacou que cortes no imposto estadual nem sempre chegam ao consumidor final e que o Estado mantém o compromisso com o equilíbrio fiscal, sinalizando que a proposta de isenção até maio deve ser rejeitada pelo Comsefaz.

Para Mauro, o problema do preço é reflexo da instabilidade internacional e da política da Petrobras, e não da carga tributária estadual. “Reduziu-se o imposto, tirou dinheiro da saúde, tirou a educação e não chegou na bomba. Então, isso é muito ruim. Eu defendo que, se o governo federal quer fazer algo, vamos dar um subsídio direto para o caminhoneiro autônomo. Senão, essa redução vai virar lucro da Petrobras. Não vamos tirar dinheiro da saúde e da educação para deixar gringos lá fora mais ricos“, disparou Mauro Mendes.

Cenário de guerra

Com o petróleo saltando de US$ 60 para US$ 112 por barril devido ao fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, o preço médio do diesel já chega a R$ 9,99 em algumas cidade de Mato Grosso. O impacto direto é esperado na inflação dos próximos seis meses, atingindo desde o frete dos caminhoneiros até o preço dos alimentos nas prateleiras dos supermercados.


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