A revista inglesa The Economist colocou o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022) na capa da sua edição desta semana e projetou que o ex-mandatário será condenado no julgamento que começa no Supremo Tribunal Federal (STF) na próxima terça-feira (2), por acusações sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado após a eleição de 2022.
Com a chamada “O que o Brasil pode ensinar aos Estados Unidos”, a Economist alegou que “o Brasil oferece aos Estados Unidos uma lição de maturidade democrática”.
Na capa, Bolsonaro aparece caracterizado como Jake Angeli, o “Xamã do Qanon”, uma das figuras mais conhecidas da invasão ao Congresso americano em 6 de janeiro de 2021.
“Bolsonaro e seus aliados provavelmente serão considerados culpados. Isso torna o Brasil um caso de teste para a recuperação de países de uma febre populista”, apontou o artigo da Economist.
A revista inglesa alegou que Brasil e Estados Unidos “parecem estar trocando de lugar”. “Os Estados Unidos estão se tornando mais corruptos, protecionistas e autoritários — com Donald Trump esta semana interferindo no Federal Reserve e ameaçando cidades controladas pelos democratas. Em contraste, mesmo com o governo Trump punindo o Brasil por processar Bolsonaro [com tarifas de 50% e revogação de vistos de ministros do STF], o país está determinado a salvaguardar e fortalecer sua democracia”, argumentou.
Recentemente, a Economist fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Em artigo em abril, disse que o caso do juiz brasileiro “expõe uma concentração excessiva de poder”.
A respeito do mandatário brasileiro, a Economist afirmou em julho que Lula “está perdendo influência no exterior e ficando impopular internamente”. “Luiz Inácio Lula da Silva colocou o Brasil no mapa, mas não se adaptou a um mundo em transformação”, criticou a revista.
Entretanto, a revista inglesa vem adotando um tom muito mais severo ao falar de Bolsonaro. Na edição desta semana, além do artigo de capa, uma reportagem fez referência à duração indeterminada do inquérito das fake news e a decisões questionadas de Moraes sobre remoção de perfis em redes sociais, mas acusou Bolsonaro e “seus comparsas” de tentarem “derrubar a democracia”.
“O desdém de Bolsonaro pela democracia vem desde a sua juventude sob a ditadura militar, que governou o país até 1985”, apontou o texto.
Em julho, a Economist condenou as sanções que os Estados Unidos impuseram a Moraes com base na Lei Magnitsky. “Ter como alvo um juiz em exercício em uma democracia em funcionamento é algo sem precedentes”, afirmou.
“Aqueles que afirmam que Moraes persegue Bolsonaro parecem ignorar as evidências na acusação contra ele. Bolsonaristas atacaram prédios do governo em 8 de janeiro de 2023, depois que seu líder alegou falsamente que as urnas eletrônicas haviam sido fraudadas contra ele. Os aliados de Bolsonaro falam da revolta como se não tivesse passado de um chá da tarde”, disse a Economist na ocasião.