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PT e PSOL disputam Marina; dobradinha com Tebet agradaria classe média, diz analista

Após confirmar que pode concorrer ao Senado por São Paulo, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), tem sido disputada por PT e PSOL para representar os partidos nas urnas. Embora lideranças petistas acreditem que a ambientalista vá retornar à sigla da qual saiu em 2009, o ministro Guilherme Boulos (PSOL), da Secretaria-Geral da Presidência, vai se reunir com a presidente da legenda, Paula Coradi, para tratar do tema nesta quarta-feira, 4.

Procurados, Boulos e Coradi não comentaram o encontro, e Marina não quis dar entrevistas sobre o futuro partidário. Na semana passada, ela disse avaliar uma troca de legenda e que se sentia “muito honrada” com a procura de agremiações “do campo democrático popular, com compromisso com a democracia”. PSB e PV também correm por fora no páreo da filiação da ministra.

O deputado federal Jilmar Tatto (PT), vice-presidente do partido, é uma das lideranças que trabalham pela filiação da ministra do Meio Ambiente.

Oportunidade com segurança!

“Está bem encaminhada a vinda da Marina vir para o PT. O pessoal do PT gosta dela, o entorno da Marina também gosta (da ideia). O PT tem estrutura, tem fundo eleitoral, tem militância. No PSOL, (a ida de Marina) não faria muito sentido, pois já há uma federação em curso com a Rede, seu atual partido. Do ponto de vista de estrutura, o que a Marina ganha indo para o PSOL?”, questiona Tatto.

Uma questão levantada por apoiadores do PSOL, por outro lado, são as rusgas que aconteceram na saída de Marina do PT, após quase 30 anos de filiação. Cinco anos depois da troca, na corrida presidencial de 2014, a ambientalista, então no PSB, foi alvo de ataques vindos não só do PSDB, como do seu ex-partido. “Eu encontrei no interior da Bahia, no Rio Grande do Sul, no Acre e em qualquer lugar desse país: PT e o PSDB juntos, numa campanha desleal, que afronta a inteligência da sociedade brasileira, fazendo todo o tipo de difamação, de calúnia, de desconstrução do nosso projeto político e até mesmo da minha pessoa”, disse Marina à época.

Para Tatto, no entanto, o episódio foi superado, tanto que Marina ingressou no terceiro mandato de Lula desde o início.

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“Isso acabou, está superado. Depois que ela aceitou ser ministra do presidente Lula, tudo isso se resolveu”, ressalta o deputado.

Seja qual for a decisão de Marina, a escolha não deve prejudicar a composição eleitoral do campo progressista, avalia o deputado estadual Paulo Fiorilo (PT).

“Eu não vejo problema, até porque a tendência é o PSOL também estar com a gente. Agora, há conversas que eu ouvi de que a Marina estava negociando a volta para o PT, sim. Ela tem entrada em segmentos importantes e teremos uma chapa representativa”, diz o parlamentar.

Um terceiro destino de Marina poderia ser o PSB, sigla pela qual ela disputou a Presidência da República após a morte de Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco, em um acidente aéreo. O filho de Eduardo, João Campos, prefeito de Recife, comanda o partido em nível nacional e tratou do assunto com ela, assim como a deputada federal Tabata Amaral, de São Paulo. O PV também está no páreo.

Colega de Esplanada de Marina, Simone Tebet (MDB), do Planejamento, é considerada outra opção para concorrer ao Senado por São Paulo. Conforme revelou o GLOBO, o PT tem medido a viabilidade eleitoral de Tebet, inclusive para uma possível candidatura ao governo em caso de negativa de Fernando Haddad. Em quaisquer cenários, Tebet precisaria mudar o domicílio eleitoral, atualmente no Mato Grosso do Sul, e de partido. Nesse caso, o PSB seria uma das opções.

A possibilidade de ela disputar o governo surgiu a partir de pesquisas qualitativas que identificaram uma tendência do eleitorado a reavaliar o voto no atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao se deparar com a informação de que o estado nunca elegeu uma mulher para o cargo. O material circulou, no final do ano passado, entre ministros do governo Lula, incluindo Haddad e Alckmin, além do marqueteiro Sidônio Palmeira. Já a avaliação de que poderia ser competitiva no Senado circula pelo menos desde o ano passado e conta com o entusiasmo da deputada federal Tabata Amaral (PSB).

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Caso os partidos de esquerda decidam pela dobradinha Marina-Tebet, o ministro Márcio França (PSB), outro candidato em potencial ao Senado, mas que prefere concorrer ao governo paulista, poderia ser deslocado do arranjo para a construção da chapa majoritária. Ele governou o estado por oito meses, em 2018, depois que Geraldo Alckmin, então no PSDB, renunciou para disputar a Presidência contra Lula e Jair Bolsonaro.

“Tudo ainda é especulação, pois somos um grupo político só. Pesquisas estão sendo feitas e elas poderão ajudar na decisão, que é a mais importante pelo peso de São Paulo. Eu sou pré-candidato ao governo. Eu tive quase 30 milhões de votos nas duas últimas eleições no estado. Acho que o Tarcísio ainda não teve confrontos mais duros em debates públicos. Gostaria de vê-lo debatendo como debatemos eu e Doria”, afirma França, para quem a decisão será do presidente Lula.

“Lula é muito experiente e está certo em avaliar todas as possibilidades, ainda mais com um governador “indecísio” como o Tarcísio. Ainda vai cair coco do cacho dele, pois não irá cumprir compromissos”, disse o ex-governador.

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Esquerda no Senado

O advogado Marco Aurélio Carvalho, do Grupo Prerrogativas, que recebeu Lula, Haddad, Alckmin e Tebet em um evento no final do ano em São Paulo, afirma que a possibilidade de o campo progressista ter três pré-candidatos ao Senado é um sinal positivo para a esquerda, sobretudo após Lula dizer que as vagas para a Casa Legislativa devem ser prioridade em 2026.

“Se a gente tiver três candidatos para as duas vagas é sinal de que a gente tem alternativa. A gente quer ter esse tipo de problema”, ressalta Carvalho.

O cientista político Marco Antonio Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas, concorda que PT e demais partidos da esquerda precisam de mais nomes de peso para retomar a competitividade nas corridas ao Senado em São Paulo, perdida nos últimos pleitos.

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“Se o grupo do governo consegue uma vaga para o Senado, já é um avanço, pois perdeu a capacidade de eleger senadores. Basta ver a campanha fracassada do Eduardo Suplicy de 2018. Ele saiu liderando e, de repente, foi ultrapassado pelo Major Olímpio. Sobre a Marina e a Simone, ambas dialogam com a classe média. Marina é evangélica, dialoga bastante com esse setor e tem um discurso importante com questão ambiental, de sustentabilidade”, explica o professor.

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