quinta-feira , 5 março 2026
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PF: Grupo de Vorcaro acessou sistemas do FBI e da Interpol para vigiar adversários

O relatório da Polícia Federal entregue ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça revela que o grupo liderado pelo banqueiro Daniel Vorcaro acessou ilegalmente sistemas restritos da Polícia Federal, do Ministério Público e até mesmo de órgãos de segurança internacionais, como o FBI e a Interpol.

As informações, obtidas pela Operação Compliance Zero e detalhadas em decisão de Mendonça, mostram trocas de mensagens via WhatsApp entre o dono do Banco Master e colaboradores apelidados de “A Turma”.

O grupo, coordenado por Luiz Phillipi Mourão, seria responsável por intimidar, agredir e até mesmo investigar alvos de Daniel Vorcaro — inclusive em sistemas restritos.

No despacho, Mendonça afirma que Vorcaro monitorava adversários e acessava informações ilegalmente em órgãos públicos a partir da “Turma” contratada. Segundo a investigação, eles teriam acessado dados da Polícia Federal, do Ministério Público e da Interpol com credenciais funcionais obtidas ilicitamente.

“Além disso [do acesso aos sistemas], foi identificado que o investigado participava de tratativas destinadas à obtenção de dados pessoais e institucionais de autoridades, jornalistas e outros indivíduos considerados de interesse da organização, repassando tais informações a integrantes do grupo responsável pela tomada de decisões estratégicas”, destaca trecho da decisão.

Intimidação e vigilância

Além da obtenção ilegal de informações, as trocas de mensagens também revelam que Vorcaro utilizava os “colaboradores” para intimidar e possivelmente agredir suas vítimas.

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Em um trecho da conversa com Mourão, Vorcaro cogita simular um assalto para dar “um pau” e “quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, que teria publicado reportagens que colocavam em risco sua operação fraudulenta.

Em outra conversa com Mourão, Vorcaro diz sentir-se ameaçado por uma empregada, solicitando que o comparsa levantasse informações sobre a mulher. “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda”, escreveu.

Aliciamento e propina

As mensagens também revelam a proximidade de Vorcaro com servidores do alto escalão do Banco Central (BC). Em um diálogo com Paulo Sérgio Neves de Souza, que à época atuava como chefe-adjunto de Supervisão Bancária, o servidor envia a Vorcaro a imagem de sua portaria de nomeação no Diário Oficial, ao que é parabenizado — indicando a possibilidade de que a obtenção do cargo fizesse parte do esquema.

De acordo com o relatório, ele e o ex-chefe de departamento de Supervisão Bancária do BC, Belline Santana, atuaram como “consultores informais” de Vorcaro de dentro do Banco Central.

Eles teriam recebido dinheiro para passar informações ao banqueiro e ajudar na elaboração de pedidos ao órgão. Na operação desta quarta-feira (4), ambos passaram a usar tornozeleira eletrônica como medida cautelar para evitar possíveis fugas.

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