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O que as pesquisas eleitorais de janeiro indicam sobre Lula, Flávio e Tarcísio?

O mês de janeiro terminou com a divulgação de quatro das principais pesquisas de intenção de voto para a Presidência em 2026: AtlasIntel, Quaest, Meio/Ideia e Paraná Pesquisas.

Com resultados semelhantes, os levantamentos apontam para uma liderança sólida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, mas indicam um cenário apertado e incerto no segundo turno contra possíveis candidatos da direita, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Para o cientista político e professor da UFRJ Jorge Chaloub, o desempenho de Lula na primeira rodada de pesquisas precisa ser analisado sob um prisma mais amplo, considerando tratar-se de um candidato presente nas cédulas eleitorais desde 1989.

Oportunidade com segurança!

“Lula é o principal candidato na cabeça do eleitor. Todo mundo o conhece — pode ser pela rejeição, mas todos o conhecem. Isso quer dizer que ele está eleito? Não. Mas me sugere que os números sejam lidos com muita moderação”, diz.

Chaloub destaca que o alto índice de rejeição ao governo reforça a percepção de que a eleição de 2026 pode repetir o padrão de 2022, com uma disputa acirrada entre Lula e a oposição à sua figura.

O empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro ou Tarcísio de Freitas, apontado pela Paraná Pesquisas, reforça a leitura de que a corrida presidencial tende a ser marcada novamente pela polarização entre lulismo e bolsonarismo, segundo o analista político Leopoldo Vieira.

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O último levantamento do instituto, divulgado na quinta-feira (29), mostra que, em um eventual segundo turno, Lula tem 44,8% contra 42,2% de Flávio — empate técnico dentro da margem de erro. O cenário é semelhante com Tarcísio, que soma 42,5% ante 43,9% do petista.

Na avaliação de Vieira, o principal desafio de Lula para 2026 será reverter o quadro em que a desaprovação supera a aprovação — acima de 50% na maioria das pesquisas. Esse fator pode reforçar a expectativa de vitória da oposição, influenciar indecisos e atrair aliados políticos interessados em construir força no Congresso.

“Essa alta rejeição reflete a polarização e, por isso, pode alcançar também qualquer nome da oposição que se consolide como principal adversário de Lula. Esse opositor, por sua vez, tende a crescer até perto do empate técnico”, destaca.

Para o analista, o retorno da polarização sugere que, novamente, o eleitorado não se sente seguro em migrar para uma terceira via, por não enxergar alternativas mais fortes — o que pode frustrar candidaturas como as dos governadores Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG).

Oportunidade e queda

A despeito das previsões iniciais feitas a partir das pesquisas de dezembro, o avanço de Flávio Bolsonaro indica uma candidatura mais consolidada como representante do bolsonarismo. Ainda assim, o senador enfrenta o desafio de herdar a totalidade dos votos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

No levantamento de novembro, pouco tempo após anunciar a pré-candidatura, o filho do ex-presidente marcava 23,1% das intenções de voto. Em dezembro, ele já havia subido para 29,3%, sinalizando consolidação do seu nome para 2026.

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Na última AtlasIntel, Lula registra 48,4% das intenções de voto, enquanto Flávio aparece em segundo, com 28%, seguido por Tarcísio, com 11%. Em um cenário sem o governador, o filho de Bolsonaro sobe para 35% no primeiro turno.

“Quando pensamos no campo da direita, o cenário ainda é de incerteza. É claro que a candidatura de Flávio vingou, diferentemente do que muitos apostavam. Mas, isoladamente, o desempenho de Tarcísio não é tão distante do de Flávio”, diz Chaloub.

Para o professor, a transferência de votos de Bolsonaro para Flávio pode ter ocorrido mais rapidamente por conta do sobrenome, mas parte da classe política vê em Tarcísio potencial para ampliar a base eleitoral, o que tornaria sua candidatura mais competitiva para vencer.

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Até a quinta-feira (29), Tarcísio havia evitado comentar diretamente seus planos para 2026. Após visitar Jair Bolsonaro, porém, o governador reiterou apoio à candidatura de Flávio e confirmou o interesse em disputar a reeleição em São Paulo.

“Tarcísio, para ganhar, sabe que precisa de um apoio explícito de Bolsonaro, pela popularidade na direita. Então, a justificativa para a desistência pode ser um pouco essa”, afirma Chaloub.

Vieira, no entanto, pondera que, apesar do recuo de Tarcísio, é provável que setores centristas da sociedade e do mercado ainda resistam ao nome de Flávio, diante de alternativas vistas como mais moderadas e palatáveis.

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Para o analista, o verdadeiro desafio de Flávio para se manter viável até a eleição será mitigar os danos associados a movimentos antidemocráticos e extremistas atraídos pelo sobrenome.

O senador também precisará sustentar relevância em pautas caras à direita nas disputas anteriores. “Se não conseguir abrir uma ampla vantagem na agenda de segurança pública, isso também será um problema”, afirma.

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