O exército israelense recuperou nesta sexta-feira (29) os restos mortais de Ilan Weiss, de 56 anos, um refém israelense que havia sido sequestrado pelo grupo terrorista Hamas durante os ataques de 7 de outubro de 2023.
Após ser levado para a Faixa de Gaza — juntamente com sua filha Noga e sua esposa, Shiri, estas libertadas durante um acordo de trégua ainda em 2023 — o paradeiro de Ilan permaneceu desconhecido até sua família ser informada de que o israelense havia sido morto e que somente seu corpo estava no enclave.
“Ele não hesitou um segundo”
Quando terroristas fortemente armados tomaram o Kibutz (comunidade) Be’eri, Ilan Weiss, que exercia o posto de vice-chefe da equipe de emergências da comunidade, deixou sua família no quarto seguro de casa e imediatamente pegou as chaves do depósito de armas e foi destrancá-lo. De lá, nunca mais retornou.
Enquanto Weiss ia lutar pela comunidade, terroristas invadiram sua casa. Sua filha Noga se escondeu debaixo de uma cama no quarto seguro e sua esposa, Shiri, foi feita refém.
Escondida, a filha do casal assistia às violações e denunciava o sequestro em grupos de WhatsApp.
Os terroristas então incendiaram a casa, Noga fugiu por uma janela e, na sequência, foi pega com vida, feita refém e levada para a Faixa de Gaza. Após 50 dias no enclave, a mãe e a filha foram libertadas no primeiro acordo de reféns em novembro de 2023.
“Em 7 de outubro, quando chegou a notícia da infiltração, Ilan não hesitou por um instante. Apesar do grave perigo, ele deixou sua casa para nos proteger, os membros de Be’eri. Compartilhamos a profunda dor da família e esperamos que encontrem algum conforto em saber que Ilan será sepultado no solo de Be’eri, que ele amou e pelo qual deu a vida”, disseram em uma homenagem, membros do Kibutz Be’eri, um dos mais atacados pelos terroristas.
Em um comício em Tel Aviv no início deste mês, Noga relembrou os últimos momentos do pai. “Quando lhe disseram que poderia haver terroristas dentro do kibutz, ele não hesitou um segundo. Pegou as chaves do depósito de armas e saiu de casa para nos defender e defender a comunidade. Foi a última vez que o vi”, disse ela.
“Às 7h15 daquela manhã, quando ele saiu do quarto seguro, pedi que se cuidasse. Ele disse para minha mãe e para mim não nos preocuparmos, que tudo acabaria em poucos minutos e ele voltaria”.
No comício, ela havia suplicado às autoridades para que recuperassem o corpo de seu falecido pai “apenas para se despedir para sempre, e ser enterrado no solo que amava”.
Membros do Kibutz Be’eri, local que até hoje tem visíveis as marcas de fogo, buracos de bala nas paredes, casas totalmente queimadas e que mal tem um prédio intacto, definiram Ilan como um “homem modesto e íntegro, profundamente envolvido na vida comunitária e altamente respeitado por suas ações”.
“Um dedicado chefe de família que cuidava de seus entes queridos, adorava receber visitas, cuidar do jardim, beber cerveja e andar de mountain bike nos fins de semana com seu cunhado, Gil Boim” — que também foi morto no ataque terrorista.
Além da esposa e Noga, Ilan deixa outras duas filhas.
A recuperação do corpo de Weiss foi parte de uma operação militar realizada pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) em conjunto com o Shin Bet, serviço secreto do país.
As FDI detalharam que os restos mortais foram localizados após um longo esforço da inteligência que incluiu interrogatórios de terroristas capturados. “A operação foi possível graças à precisão das informações coletadas pela Força-Tarefa de Reféns, pela Inteligência Militar e pelo Shin Bet”, afirmaram.
A identificação foi concluída no Instituto Nacional de Medicina Legal com o auxílio da polícia, e em seguida, os familiares de Ilan foram comunicados, assim como membros da comunidade Be’eri.
“As Forças de Defesa de Israel (IDF) e o Shin Bet compartilham a dor das famílias e continuarão a envidar todos os esforços para trazer todos os reféns para casa”, completou o comunicado.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu confirmou que a operação também recuperou restos mortais que se acredita pertencerem a outro refém — cujo nome ainda não foi divulgado.