sexta-feira , 20 março 2026
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Na PF, Vorcaro ocupa a mesma sala onde Bolsonaro cumpriu prisão por 54 dias

A transferência do banqueiro Daniel Vorcaro para a carceragem da Polícia Federal em Brasília o colocou exatamente no mesmo espaço onde o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou preso após a condenação pela trama golpista, segundo apurou o GLOBO. A mudança, autorizada pelo ministro André Mendonça, ocorre no momento em que o dono do Banco Master formalizou um termo de confidencialidade e iniciou tratativas para um acordo de delação premiada. A movimentação exige maior proximidade com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.

Até então, Vorcaro estava sob custódia no sistema penitenciário federal, em uma cela de segurança máxima na Penitenciária Federal de Brasília. O espaço, de cerca de 6 m², segue um padrão rígido de isolamento: móveis de concreto integrados à estrutura, ausência de televisão e de tomadas elétricas, iluminação e banho controlados externamente e rotina marcada por restrições severas de circulação. Os detentos passam a maior parte do tempo sozinhos, com direito a saídas limitadas sempre sob escolta e mediante protocolos de segurança.

Na carceragem da PF, onde Bolsonaro ficou detido, as condições são significativamente melhores. A sala tem o dobro do tamanho, com cerca de 12 m², e foi adaptada para receber autoridades, com banheiro privativo, cama, armário, escrivaninha, televisão, frigobar e ar-condicionado. O modelo segue o padrão de “sala de Estado-Maior”, previsto na legislação para presos com prerrogativa de função, com o objetivo de garantir condições diferenciadas e reduzir riscos à integridade física.

A mudança representa, na prática, uma flexibilização relevante no regime de custódia. Além da estrutura mais ampla, o ambiente da PF permite maior facilidade logística para deslocamentos internos, atendimentos jurídicos e eventual realização de oitivas, o que é visto como compatível com a fase atual das investigações.

O banqueiro chegou à Superintendência da PF no início da noite desta quinta-feira, após deixar o sistema penitenciário federal de helicóptero. Ele estava preso desde 4 de março e, desde a transferência para Brasília, a defesa vinha tentando tirá-lo do regime de segurança máxima, sob o argumento de que as condições dificultavam o contato com advogados e o andamento da estratégia jurídica.

No caso de Bolsonaro, a permanência na PF não foi passageira. O ex-presidente ficou 54 dias na carceragem da corporação, entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, antes de ser transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.

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