O sistema de pagamentos Pix, criado pelo Banco Central do Brasil, virou protagonista nos bastidores do encontro entre autoridades e empresários brasileiros e mexicanos, realizado nesta quarta-feira (27) na Cidade do México.
Embora o foco oficial da missão liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin fosse a ampliação das exportações brasileiras, a digitalização financeira ganhou espaço inesperado na agenda — e o Pix foi o assunto mais comentado entre executivos, diplomatas e representantes do setor público.
Durante o fórum empresarial promovido pela ApexBrasil, representantes do governo mexicano demonstraram forte interesse em entender como o sistema brasileiro, que já movimenta trilhões de reais por ano, pode ser adaptado para atender às necessidades do México.
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A ideia ganhou força após o encontro, na semana passada, entre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o chanceler mexicano, Juan Ramón de la Fuente.
Na reunião, também participou José Antonio Peña Merino, chefe da Agência de Transformação Digital e Telecomunicações do México. O saldo foi a assinatura de um memorando de entendimento para promover a cooperação bilateral no desenvolvimento de sistemas de pagamento digital, com o Pix como modelo inspirador.
Cooperação para exportar inclusão financeira
Segundo a chancelaria mexicana, o acordo busca consolidar uma troca contínua de experiências e boas práticas entre os dois países, com foco em inclusão financeira, desburocratização e soberania digital.
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A iniciativa é parte da agenda de transformação tecnológica promovida pela nova presidente do México, Claudia Sheinbaum. A presença de Galípolo ao lado de autoridades mexicanas reforçou o peso geopolítico que o Pix vem adquirindo na estratégia de inserção internacional do Brasil.
Expansão do Pix incomoda os EUA
O avanço internacional do sistema brasileiro ocorre em meio à tensão crescente entre Brasil e Estados Unidos. Após o tarifaço de 50% imposto por Donald Trump sobre produtos brasileiros, o Congresso norte-americano intensificou as críticas ao modelo do Pix, alegando que ele poderia representar risco à “liberdade econômica”.
Leia mais: Pix ameaçado? Por que Trump mira sistema de pagamentos brasileiro em nova ofensiva
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Em julho, parlamentares republicanos, como Marco Rubio, passaram a questionar a “influência estatal” do Pix e a presença do Brasil em fóruns multilaterais que promovem sua adoção.
A porta-voz da Casa Branca chegou a afirmar que os EUA “monitoram de perto” as iniciativas de pagamentos digitais no continente, indicando receio de perder protagonismo num setor historicamente dominado por empresas e plataformas do país.
América Latina busca soluções regionais
A adoção do Pix por países como México e Argentina reforça o movimento de busca por soluções tecnológicas regionais, com menor dependência de intermediários financeiros tradicionais e maior controle soberano sobre as infraestruturas de pagamento.
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O memorando entre Brasil e México pode abrir caminho para futuros testes de interoperabilidade, o que permitiria transações transfronteiriças instantâneas entre os dois países — algo inédito na América Latina.