quarta-feira , 8 abril 2026
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Mapa de Risco: Por que eleição na Hungria importa para Brasil e direita bolsonarista






A eleição na Hungria, marcada para o próximo domingo (12), tem chamado atenção fora da Europa. O motivo não é apenas o risco eleitoral enfrentado por Viktor Orbán, mas também o modelo político que ele construiu e que passou a ser citado como referência em outros países, incluindo o Brasil. Para Bruno Soller, analista político da Real Time Big Data, o interesse de setores da direita brasileira pelo caso húngaro não é casual.

“Orbán vira uma referência porque mostra que é possível concentrar poder sem romper formalmente com a democracia. Você continua tendo eleição, continua tendo instituições, mas com um redesenho que favorece quem está no governo”, afirmou durante participação no Mapa de Risco Internacional, programa de política do InfoMoney.

Segundo ele, esse ponto é central para entender por que o modelo desperta atenção fora da Hungria. “Não é um rompimento explícito. É um processo mais gradual, em que você vai alterando regras, ocupando espaços institucionais e mudando o equilíbrio do sistema”, disse.

Esse tipo de estratégia, na avaliação do analista, ajuda a explicar paralelos feitos com o Brasil nos últimos anos. “Quando você olha para o discurso de alguns setores do bolsonarismo, há uma admiração por essa capacidade de reorganizar o sistema por dentro, sem necessariamente romper com a lógica democrática formal”, afirmou.

Soller ressalta que isso não significa replicação direta, mas aponta para uma inspiração mais conceitual. “Não é copiar e colar. São contextos diferentes, instituições diferentes. Mas existe uma referência, principalmente na ideia de fortalecer o Executivo e tensionar outros poderes”, disse.

Essa conexão também aparece na forma como Orbán se posiciona no cenário internacional. “Orbán constrói uma narrativa muito forte de soberania nacional, de enfrentamento a organismos internacionais, e isso dialoga com discursos que a gente já viu em outros países, inclusive no Brasil”, afirmou.

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Ao mesmo tempo, o analista chama atenção para o fato de que o caso húngaro não pode ser analisado isoladamente. “A Hungria acaba virando um símbolo porque conseguiu sustentar esse modelo por mais tempo. Mas não é um caso único. Você tem movimentos parecidos acontecendo em outros lugares”, disse.

Na leitura de Soller, é justamente por isso que a eleição ganha relevância fora da Europa. “Essa eleição ajuda a responder uma pergunta maior: até que ponto esse tipo de arranjo político continua sendo viável eleitoralmente?”, afirmou.

E é essa resposta que, segundo ele, tende a reverberar para além da Hungria. “O que acontecer ali não fica só ali. Isso influencia a forma como outros grupos políticos, em outros países, avaliam suas próprias estratégias”, disse.

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