Diversas capitais registraram a concentração de multidões com o ato “Acorda, Brasil” convocado pela direita para este domingo (1). Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador reuniram apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro desde a manhã em seus principais cartões postais.
Em São Paulo, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) exaltou a mobilização liderada por Nikolas Ferreira, dizendo que o movimento reacendeu a disposição de luta entre apoiadores. Em seu discurso, o parlamentar comparou o governo do seu pai com o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo ele, na gestão anterior, “o governo lutava pela liberdade de pensamento dentro de sala de aula” e que o ex-presidente “estendia a mão para as pessoas que mais precisavam”. Em contraposição, criticou o governo Lula, mencionando gastos e decisões que, de acordo com ele, prejudicam a população.
Sobre o projeto relacionado à dosimetria das penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, afirmou que “esse primeiro passo vai ser dado em breve” e que muitas pessoas “vão poder ir para suas casas”. A oposição articula a derrubada do veto do presidente Lula ao texto pelo Congresso Nacional.
Ao defender Jair Bolsonaro, disse que o ex-presidente está “mais vivo do que nunca” e que “nunca desistiu do nosso Brasil”. “Em janeiro de 2027 você vai subir aquela rampa do Planalto junto com o povo brasileiro”, disse, referindo-se a Jair Bolsonaro.
A concentração dos manifestantes na avenida Paulista começou pouco antes do meio dia. O carro de som “Avassalador” reuniu as autoridades presentes, que incluíram o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, os deputados federais Ricardo Salles e Philippe de Orleans e Bragança e diversos outros nomes do campo de direita.
Flávio Bolsonaro chegou por volta de 15h, acompanhado pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema, de Nikolas e do pastor Malafaia. “Nós estamos aqui e não vamos desistir do nosso Brasil. O silêncio não é mais uma opção”, disse o senador.
Tradicional desde as manifestações que pediram o impeachment de Dilma Rousseff, o boneco do Pixuleco de Lula vestido de presidiário voltou repaginado. Uma versão com Bolsonaro censurado e a inscrição “Falem por mim!” na boca foi levada pelos apoiadores do ex-presidente, para simbolizar censura.

A multidão vestiu as cores verde e amarelo da bandeira e pediu liberdade para Bolsonaro. A mobilização foi encerrada por volta das 17h.
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Mobilização aconteceu em diversas capitais
Em Brasília, a concentração aconteceu ainda pela manhã, em frente ao Museu da República e utilizou um carro de som. Entre as autoridades presentes, os senadores Izalci Lucas (PL-DF) e Rogerio Marinho (PL-RN) e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF). Todos discursaram a favor do perdão aos condenados pelo 8 de janeiro e pelo fim das “arbitrariedades”.
Presente, o pré-candidato ao Senado Federal por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro, disse ter optado por “permanecer no chão, conversar de perto, ouvir e sentir o que as pessoas têm a dizer”. “Eu sou só uma pessoa que está se somando ao público”, disse o filho 02 de Bolsonaro.
No Rio de Janeiro, o ato reuniu milhares de pessoas no final da manhã em frente ao posto 5, em Copacabana. Em cima do carro de som, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) chamou a capital fluminense de “berço do bolsonarismo e da direita”. “Fora Lula, Moraes e Toffoli! CPMI do Banco Master! Anistia já! Bolsonaro livre!”, escreveu ele no X.
Em Belo Horizonte, Nikolas Ferreira reuniu uma multidão na Praça da Liberdade, no centro da cidade, e encontrou o governador mineiro Romeu Zema (Novo), cotado para integrar a chapa da direita com Flávio. Em tom descontraído, Nikolas disse que estava “faltando um trem” e escreveu em caneta vermelha o lema “Acorda, Brasil!” na camiseta branca do governador.

Na capital baiana, a concentração de patriotas aconteceu em frente ao Farol da Barra, ponto de referência do circuito Barra-Ondina no carnaval. Os baianos também foram animados por carros de som e seguiram em um cortejo pela avenida Oceânica.

Nikolas defende “fora Lula, Moraes e Toffoli”
As bandeiras dos atos foram desde pautas como o pedido de anistia aos condenados pelo 8 de janeiro e a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria, como também críticas ao governo Lula e o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, como em todas as manifestações da direita, apareceu também a defesa do combate à corrupção e ao aumento de impostos.
A defesa de um tom mais duro contra o STF não era consensual dentro do campo da direita. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, tem adotado postura mais moderada, buscando ampliar o diálogo com setores de centro. Nos bastidores, aliados temiam que uma pauta excessivamente concentrada em ataques à Corte poderia produzir efeitos políticos indesejados neste momento pré-eleitoral.
Apesar disso, Nikolas Ferreira defendeu que estava ali pelo “fora Lula, fora Moraes e fora Toffoli”. “Estamos aqui por “fora Lula”. Nós estamos aqui pelo fora Moraes (…). O destino final do Alexandre de Moraes não é o Impeachment, é cadeia. Moraes, eu não tenho medo de você. Nós não temos medo de você”, disse o deputado.
Nikolas Ferreira também fez críticas a Toffoli, afirmando saber que parlamentares de esquerda também querem derrubá-lo. “Estamos aqui também por fora Toffoli. Foi ele que iniciou o inquérito das fake news. Eu sei que há também uma vontade da esquerda de derrubar o Toffoli, porque eles podem estar brigados, mas eles podem estar achando que a gente vai derrubar um e vai parar. Se a gente derrubar um, cai Moraes, cai todo mundo”, disse.
Mobilização marca a pré-campanha de Flávio Bolsonaro
A mobilização do dia 1º de março ocorreu em um ambiente já marcado por movimentações pré-eleitorais e pela reorganização de lideranças no campo conservador. A expectativa entre os organizadores é de que o ato seja também uma vitrine para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro na direita.
Escolhido por Jair Bolsonaro para ser o candidato do PL ao Palácio do Planalto, o senador intensificou, nas últimas semanas, as articulações para consolidar seus palanques em todo o país.
Para o cientista político Gustavo Macedo, professor do Insper, o ato deve funcionar como um teste de narrativa. “Já vivemos um clima de campanha permanente, e essas mobilizações ajudam a testar quais pautas colam junto ao eleitorado, se é Bolsonaro, anistia ou crítica ao STF”, avaliou.
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