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Manifestações bolsonaristas marcaram o ano em Mato Grosso com atos contra Lula, STF e em defesa do 8 de Janeiro

THIAGO NOVAES

DO REPÓRTERMT

Ao longo de 2025, manifestações em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltaram a ocupar ruas, praças e espaços públicos de Mato Grosso, acompanhando mobilizações registradas em diversas regiões do país. Organizados por movimentos de direita e lideranças bolsonaristas, os atos variaram em tamanho e formato, mas mantiveram pautas recorrentes, como críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a defesa de investigados e condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

As mobilizações tiveram início ainda no primeiro trimestre do ano. Em fevereiro, grupos da direita anunciaram um protesto marcado para março, na Praça 8 de Abril, o Choppão, em Cuiabá, inserido em uma agenda nacional divulgada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL). O ato tinha como principal bandeira o impeachment de Lula, sob a alegação de irregularidades fiscais no programa Pé-de-Meia, e contou com o apoio de parlamentares do PL em Mato Grosso.

Com o passar dos meses, os protestos oscilaram em intensidade. Em julho, apoiadores de Bolsonaro realizaram um adesivaço e um buzinaço em uma rotatória entre as avenidas Fernando Corrêa da Costa e Beira Rio, em Cuiabá. A mobilização reuniu poucas pessoas e lideranças políticas locais, como o suplente de vereador Rafael Yonekubo (PL), um dos organizadores do evento, o ex-presidente da Aprosoja e pré-candidato ao Senado, Antonio Galvan, e o pré-candidato a deputado federal Vilmar Rigo, conhecido como “Bolsonaro da Shopee”. Os manifestantes exibiam cartazes com críticas ao governo federal e ao STF.

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No início de agosto, as manifestações voltaram a ganhar maior dimensão com o ato “Reaja Brasil”. Centenas de pessoas se concentraram na Praça do Choppão em defesa do ex-presidente, após a imposição do uso de tornozeleira eletrônica por determinação do ministro Alexandre de Moraes, no âmbito das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.

O protesto reuniu prefeitos, parlamentares e vereadores da direita mato-grossense e teve discurso centrado na denúncia de perseguição política e censura judicial. As manifestações ocorreram em várias capitais do país. Bolsonaro foi impedido de comparecer presencialmente em razão de medidas cautelares impostas pelo próprio Moraes e participou da manifestação por videochamada.

No feriado de 7 de setembro, novas manifestações ocorreram em Cuiabá, novamente sob a bandeira do movimento “Reaja Brasil”. O ato, realizado de forma pacífica, teve como pauta central a defesa da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e ao próprio Bolsonaro, que à época estava sendo julgado pelo STF. Segundo organizadores e políticos presentes, aquela seria a última grande mobilização antes do julgamento final do ex-presidente. Manifestantes exibiram bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos, toalhas com a imagem de Bolsonaro e cartazes com pedidos de “Anistia Já”.

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Em outubro, a mobilização ganhou novo formato, com a participação direta de políticos mato-grossenses em atos realizados fora do estado. No dia 7, parlamentares de Mato Grosso participaram da Caminhada pela Anistia, realizada na Catedral Metropolitana de Brasília, em defesa de Bolsonaro e dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Estiveram presentes o senador Wellington Fagundes, os deputados federais Coronel Fernanda e José Medeiros, além do senador Flávio Bolsonaro. Durante o ato, lideranças classificaram a manifestação como um gesto de resistência e reforçaram o discurso de que eleições sem Bolsonaro não seriam democráticas.

A mobilização também pediu perdão judicial aos envolvidos na invasão das sedes dos Três Poderes e ocorreu em meio à perda de força do projeto de anistia no Congresso Nacional.

Apesar das mobilizações nas ruas e em Brasília, o projeto de anistia perdeu força no Congresso Nacional. Embora a urgência da proposta tenha sido aprovada, a escolha do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) como relator e as tensões entre o Legislativo e o STF esfriaram o apoio ao texto, uma vez que o parlamentar sinalizou a substituição da anistia ampla por uma proposta de dosimetria das penas, o que gerou resistência inclusive entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Diante do impasse, esse vácuo político passou a ser preenchido pelo avanço do chamado PL da Dosimetria, apresentado como alternativa à anistia ampla defendida por aliados de Bolsonaro. A proposta, que reduz penas e flexibiliza regras de progressão de regime para condenados pelos atos de 8 de janeiro, foi incorporada ao discurso das mobilizações como uma saída possível diante da falta de apoio parlamentar para o perdão total.

A aprovação do projeto pela Câmara dos Deputados e, posteriormente, pelo Senado foi interpretada por organizadores e apoiadores como resultado indireto da pressão exercida pelas manifestações. Ao mesmo tempo, o avanço do texto explicitou o recuo estratégico da oposição bolsonarista, que passou a aceitar a redução das penas como alternativa viável no Congresso.

Entretanto, o cenário deve seguir tensionado, já que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que pretende vetar o projeto. O ano fechou com a prisão do ex-presidente. Bolsonaro foi detido pela Polícia Federal por tentar romper a tornozeleira eletrônica. 


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