O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou a aliados que a permanência do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), na relatoria do caso Master está se tornando insustentável diante das novas revelações apresentadas pela Polícia Federal.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, apresentou ao presidente da Corte, Edson Fachin, um relatório mostrando que há menções a Toffoli em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O conteúdo do material está sob sigilo. Ministros do STF estão reunidos na Corte nesta tarde para debater o assunto. Toffoli já informou a Fachin que não vê motivos para deixar a relatoria.
A interlocutores, Lula disse nas últimas horas que ninguém está blindado de ser investigado. De acordo com relatos, Lula afirmado que “nem ministro Supremo e nem seu filho’”estão imunes a apurações.
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O entorno presidencial considera que as revelações da PF expuseram a Corte e que não faz sentido Toffoli seguir na relatoria do caso. Outra percepção é de que o próprio Supremo deveria agir para se afastar dessa polêmica e proteger a imagem da Corte.
Além disso, para mais de um aliado, Lula usou o exemplo do filho mais velho quando comentou a situação do ministro Dias Toffoli diante das revelações da PF.
Lula se refere ao fato de uma suspeita que paira sobre Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Em dezembro, o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS, senador Carlos Viana (PSD-MG), afirmou que o colegiado ouviu o relato de uma testemunha que apontava uma parceria comercial entre o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e Lulinha para atuar no ministério da Saúde. Lula afirmou que já conversou com o filho sobre o assunto.
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— Se tiver filho meu metido nisso, vai ser investigado — afirmou Lula em dezembro.
Toffoli é sócio de empresa
Nesta quinta-feira, Toffoli admitiu em nota que é sócio da empresa Maridt, que vendeu uma participação no resort Tayayá, no interior do Paraná, para um fundo do cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Toffoli disse que declarou à Receita Federal os valores recebidos na negociação e afirmou que nunca “recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.
A empresa de Toffoli integrou a administração do resort até fevereiro de 2025. O ministro é o relator, na Corte, da investigação sobre as supostas fraudes na tentativa de compra do Master pelo BRB. A Polícia Federal entregou ao presidente do STF, Edson Fachin, o material encontrado no celular de Vorcaro, em que há menções a Toffoli.
Nesta tarde, Toffoli respondeu ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, a respeito do relatório da Polícia Federal (PF) sobre o celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A PF teria identificado menções ao nome do ministro Dias Toffoli em mensagens encontradas no aparelho.
Após o encaminhamento desse ofício, um pedido de suspeição contra o ministro foi aberto na Corte. Na resposta, Toffoli negou a suspeição e reforçou nota divulgada na quarta-feira. No texto de ontem, o magistrado afirmou ter recebido um “pedido de declaração de suspeição” elaborado pela PF para se afastar da relatoria do caso do Banco Master, mas tratou o relatório entregue a Fachin como baseado em “ilações”.
O presidente do STF também mandou o caso para a Procuradoria-Geral da República (PGR). Além disso, vai dar ciência da resposta aos demais ministros da Corte na tarde desta quinta-feira. Em meio à crise do caso Master, o presidente STF afirmou no início da sessão de julgamentos que haverá um “diálogo” entre os ministros ainda nesta quinta-feira.
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Os ministros chegaram a conversar antes da sessão e, no próximo encontro, eles devem discutir a elaboração de uma nota.
Fachin encaminhou o relatório a Toffoli para que ele avalie se é o caso de se declarar impedido. Na nota, Toffoli não faz menção a uma eventual suspeição e diz que só se tornou relator do caso Master quando a “Maridt não fazia mais parte do grupo Tayayá Ribeirão Claro”. Ele não diz quanto recebeu nas negociações, mas afirma que todas as vendas foram realizadas “dentro de valor de mercado”.
“O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.
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A Maridt é uma empresa familiar constituída como sociedade anônima de capital fechado e administrada por parentes do ministro. Toffoli integra o quadro societário e, segundo sua assessoria, recebeu apenas dividendos, sem exercer funções de gestão, o que é permitido pela Lei Orgânica da Magistratura”, afirmou o ministro em nota.
A empresa em questão é a Maridt, que detinha parte das ações do resort Tayayá, no Paraná, frequentado pelo ministro e por amigos. Os irmãos do ministro, o engenheiro eletricista José Eugênio Dias Toffolli e o padre José Carlos Dias Toffoli, eram executivos da empresa na época em que ela adquiriu ações do resort.
Até 21 de fevereiro de 2025, a Maridt integrou o grupo Tayayá Ribeirão Claro. A saída do grupo ocorreu em duas etapas: em 27 de setembro de 2021, parte das cotas foi vendida ao Fundo Arleen, de Zettel, e, em 21 de fevereiro de 2025, o saldo remanescente foi alienado à empresa PHD Holding. De acordo com a nota de Toffoli, todas as operações foram realizadas a valor de mercado.
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