quarta-feira , 14 janeiro 2026
💵 DÓLAR: Carregando... | 💶 EURO: Carregando... | 💷 LIBRA: Carregando...

Julgamento de policial civil que matou PM já sofreu oito remarcações e ficou para 2026

VANESSA MORENO

DO REPÓRTERMT

O julgamento do policial civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar a tiros o policial militar Thiago de Souza Ruiz, já foi remarcado pelo menos oito vezes. Para a defesa da família da vítima, a prática de provocar sucessivos adiamentos do julgamento configura má-fé, abuso do direito de defesa do réu, violação do princípio da duração razoável do processo, além de causar sofrimento prolongado aos familiares do PM.

Em maio deste ano, a Justiça marcou a sessão do Tribunal do Júri para o dia 4 de julho, mas a defesa do réu pediu a antecipação da data, pois já havia outra audiência agendada em Sinop. Com isso, o julgamento foi remarcado para o dia 25 de junho.

>>> Clique aqui e receba notícias de MT na palma da sua mão

Em novo pedido, a defesa do policial civil solicitou que o julgamento fosse novamente remarcado, em razão da participação em outra audiência.

Já no dia 3 de julho, Mário Wilson comunicou à Justiça que havia ocorrido o rompimento de sua tornozeleira eletrônica no dia 28 de junho. Todo o trâmite relacionado à justificativa e à reinstalação do equipamento fez com que o julgamento fosse adiado para o dia 7 de outubro.

No dia 24 de setembro, o advogado do réu pediu renúncia, e o novo advogado, Cláudio Dalledone, só foi constituído no dia 17 de outubro. Com isso, a sessão de julgamento foi remarcada mais uma vez, desta vez para o dia 28 de novembro.

Antes da realização do julgamento, Dalledone pediu nova remarcação, alegando que havia agendado uma viagem de férias entre os dias 29 de novembro e 10 de dezembro. A Justiça adiou novamente a sessão, desta vez para o dia 15.

Diante das sucessivas remarcações, a Justiça chegou a nomear um defensor público para Mário Wilson, com o objetivo de garantir que o julgamento não fosse novamente prejudicado.

No dia 15, a sessão de julgamento pelo Tribunal do Júri foi iniciada às 13h. No entanto, no final da tarde, os ânimos ficaram exaltados e houve um bate-boca entre a juíza da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, Mônica Perri, que presidia a sessão, e os advogados de defesa de Mário Wilson.

Na ocasião, o advogado Cláudio Dalledone acionou o Tribunal de Defesa das Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Mato Grosso (OAB-MT), alegando que a magistrada teria atacado as prerrogativas da advocacia.

O bate-boca continuou e, em determinado momento, Dalledone reforçou à juíza que havia acionado a OAB. A magistrada rebateu dizendo “que se dane a OAB” e “pode chamar a presidente”. Em seguida, determinou que os seguranças retirassem os advogados e os representantes do Tribunal das Prerrogativas do plenário do Tribunal do Júri, suspendendo a sessão.

LEIA MAIS: Bate-boca entre juíza e advogados paralisa julgamento em Cuiabá; “Que se dane a OAB”, diz magistrada

LEIA MAIS: Promotora diz que advogados provocaram juíza com objetivo de anular julgamento de investigador que matou PM

A confusão fez com que a continuidade do julgamento fosse marcada para o dia seguinte, terça-feira (16). No entanto, no dia 16, em decorrência do incidente, a juíza Mônica Perri pediu a dissolução do Conselho de Sentença, ou seja, determinou um novo sorteio para definir novos jurados e remarcou o julgamento para o dia 17.

O Ministério Público, porém, apontou que a defesa de Mário Wilson protocolou novos elementos no processo e solicitou o adiamento do julgamento para que todas as partes tivessem tempo hábil para analisar e se manifestar sobre o material. Com isso, a sessão foi remarcada para o dia 12 de maio de 2026.

Vale lembrar que a confusão no plenário rendeu um pedido de suspeição, que foi negado, e uma reclamação disciplinar registrada pelo Conselho Federal da OAB contra a magistrada, no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

LEIA MAIS: Juíza que mandou OAB se danar nega se afastar de caso e remarca júri de policial civil acusado de matar PM em Cuiabá

LEIA MAIS: OAB-MT e Conselho Federal da Ordem dos Advogados acionam juíza de Cuiabá no CNJ

O caso

Mário Wilson matou o policial militar Thiago Ruiz na conveniência de um posto de combustíveis localizado em frente à Praça 8 de Abril, em Cuiabá. Imagens de uma câmera de segurança mostram os dois sentados em uma mesa, consumindo bebida alcoólica.

Em determinado momento, o PM ergue a camisa e mostra algo na região do tórax. Mário se aproxima, retira a arma da cintura de Thiago e os dois iniciam uma luta corporal. As imagens mostram o investigador apontando a arma enquanto o PM tenta correr em direção à saída. Ele atira diversas vezes contra Thiago, que morre no local.

Relatos de testemunhas apontam que Mário Wilson não teria acreditado que a vítima fosse policial militar, devido à quantidade de tatuagens que Thiago tinha no corpo, fato que teria levado o policial civil a tomar a arma.

Defesa da família da vítima se manifesta

Entre os novos elementos apresentados pela defesa de Mário Wilson, o advogado Cláudio Dalledone questiona, com base em um documento de 2017, a validade do porte de arma de Thiago na época do crime. O fato motivou a defesa da família do PM a se manifestar, afirmando que o documento é antigo e que houve, de fato, uma suspensão do porte de arma, mas que ele foi restabelecido no dia 20 de julho de 2022, com validade até o dia 20 de julho de 2027.

A defesa da família de Thiago apontou ainda má-fé, falta de lealdade processual e abuso do direito por parte de Dalledone, que estaria tentando manipular documentos fora do contexto temporal, criar incidentes artificiais, provocar sucessivos adiamentos do julgamento e submeter os familiares da vítima a sofrimento prolongado, diante da demora na efetivação da Justiça.


fonte

Verifique também

Atenção especializada ao idoso: porque precisamos mudar o modelo de cuidado em saúde

Reprodução Dr. Marcelo Sandrin, médico intensivista, pneumologista, cardiologista e clínico Reprodução Dr. Marcelo Sandrin, médico …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *