quinta-feira , 19 março 2026
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Jornalismo ou torcida? A cobertura do depoimento de Bolsonaro na grande mídia

No programa Última Análise desta quarta-feira (11), os convidados analisaram a cobertura do noticiário sobre o depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro ao ministro Alexandre de Moraes. Na avaliação dos comentaristas, a tese da Procuradoria-Geral da República e, ao que tudo indica, também a do ministro, parece ter sido adotada sem reservas por alguns analistas na chamada grande mídia.

O escritor Francisco Escorsim questionou se o jornalismo está realmente utilizando a boa prática de ouvir “dois lados de toda a questão”. Ele observou que “em nenhum momento se noticia, e se enfrenta, as supostas razões que Bolsonaro teria para tentar algo”, se referindo à suposta tentativa de golpe de Estado. Para ele, o que se tem na cobertura não é uma análise, mas “torcida.”

Já o ex-procurador Deltan Dallagnol lembrou da antiga pauta petista de controlar a imprensa, anterior até à regulamentação das redes sociais, que parece hoje solucionada. “A mídia já estava, desde o começo, do lado do governo. Então abriram as comportas dos cofres, derramando rios de dinheiro na mídia, e palavras viraram pedras para atirar em Bolsonaro”, criticou.

A falácia dos argumentos jurídicos

Dallagnol afirmou que a suposta tentativa de golpe se trata de um “crime impossível”. Ele explicou que o direito penal não pune a mera cogitação, apenas a execução ou a tentativa que envolva violência ou grave ameaça, o que não aconteceu no caso em questão.

A respeito da suposta confissão de culpa do ex-presidente, ao falar “não ter clima” para um golpe, o ex-procurador rebateu. “Prova exatamente o contrário do que a mídia militante quer que ela prove”. Ele disse que, diante dos depoimentos, claramente o ex-presidente não deu início a qualquer ato criminoso.

Também foi analisada a questão do artigo 142 da Constituição Federal, que disciplina a atuação das Forças Armadas. Escorsim relembrou que, em 2022, o Brasil vivia uma “situação muito complexa” e que o dispositivo era debatido, inclusive por grandes juristas, como Ives Gandra Martins.

“O mais grave é que mencionar, questionar, ou usar artigos da nossa Constituição pode ser crime”, criticou o advogado André Marsiglia. Ele confirmou ainda que institutos jurídicos, como “estado de sítio” e “estado de defesa”, estão previstos no texto constitucional e, portanto, o debate sobre eles é legítimo.

O programa Última Análise faz parte do conteúdo jornalístico ao vivo da Gazeta do Povo, no YouTube. O horário de exibição é das 19h às 20h30, de segunda a quinta-feira. A proposta é discutir de forma racional, aprofundada e respeitosa alguns dos temas desafiadores para os rumos do país.

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