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Irã mira população civil de Israel e lança mísseis contra bairros e vilas, diz oficial das FDI

Em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo, um oficial das Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmou que a maior parte dos mísseis disparados pelo Irã desde o início da guerra em curso no Oriente Médio foi direcionada contra áreas civis, incluindo bairros, cidades e vilas em diferentes regiões de Israel. Segundo ele, os ataques têm atingido principalmente zonas residenciais e provocado vítimas entre a população.

O coronel M. (por protocolo das FDI, o nome completo não foi informado), comandante dos Distritos de Jerusalém e Central no Comando da Frente Interna de Israel, liderou as operações de resgate em Beit Shemesh, cidade onde civis foram atingidos logo no início do conflito. Nessa área, em 1º de março, um míssil balístico iraniano caiu no meio de um bairro residencial, destruindo casas e deixando nove mortos.

Segundo M., o projétil atingiu diretamente uma área habitada, incluindo uma estrutura reforçada utilizada como abrigo. Ele relatou que, naquele momento, as equipes de Israel tiveram que identificar vítimas, retirar moradores dos escombros e prestar assistência à população atingida. Autoridades israelenses e o serviço de emergência Magen David Adom (MDA) disseram que, além dos mortos, o ataque também deixou dezenas de feridos, sendo a maioria civis. O míssil provocou o colapso de edifícios e uma operação de resgate que durou horas.

“Tivemos que cuidar de toda a população que estava ali”, disse M. sobre a operação de resgate. O bombardeio foi um dos episódios mais graves registrados em território israelense desde o começo da guerra.

Maioria dos ataques do Irã está sendo lançada contra áreas civis

Segundo o coronel, os ataques do Irã contra bairros e cidades de Israel têm sido recorrentes desde o início do conflito e a maioria mira áreas civis. Para ele, o objetivo do Irã neste conflito é atacar a população civil israelense.

“O Irã tem o poder de lançar os mísseis para o lugar que quiser. Muitos dos mísseis estão sendo lançados para áreas civis, em várias cidades, do norte ao sul. A maior parte foi lançada contra bairros, cidades e vilas”, disse M.

Dados divulgados por autoridades israelenses indicam que, desde o início da guerra, pelo menos 12 civis morreram em ataques com mísseis iranianos.

Relatório militar aponta uso de bombas de fragmentação

Relatório divulgado pelas Forças de Defesa de Israel indicou que parte dos ataques iranianos realizados contra o território israelense pode ter envolvido o uso de bombas de fragmentação, um tipo de ogiva que espalha múltiplas submunições em uma área extensa e aumenta o risco para civis. Segundo a avaliação militar, essas ogivas podem lançar dezenas de explosivos menores em um raio de vários quilômetros, atingindo indiscriminadamente construções, veículos e pessoas.

O Comando da Frente Interna afirmou que esse tipo de armamento representa alto risco para a população e reforçou a necessidade de que moradores de Israel sigam as instruções de segurança durante os alertas de ataque. O uso desse tipo de munição em áreas habitadas pode configurar violação das regras internacionais de guerra, por não distinguir alvos militares de civis.

Segundo M., os ataques contra áreas residenciais fazem parte de uma tentativa de pressionar Israel durante a guerra, atingindo diretamente a população.

“Eles entendem que a população civil é a nossa parte mais frágil, então tentam atacar aí. Mas a população está organizada, segue as orientações do Comando da Frente Interna, e isso tem evitado um número maior de mortos e feridos”, afirmou.

M. disse que grande parte das unidades mobilizadas para a defesa interna de Israel é formada neste momento por reservistas que deixaram suas atividades civis para voltar ao serviço militar durante a guerra.

“Eu sou do exército de reserva. Não sou coronel no dia a dia. Estou aqui com toda a minha unidade, que são pessoas reservistas que largaram tudo para cumprir uma missão, que é defender o nosso Estado e salvar vidas”, afirmou. “Nós estamos prontos para ficar aqui o quanto precisar para cumprir nossa missão e defender a nossa pátria”, disse.

O oficial disse ainda que possui familiares no Brasil que acompanham a guerra com preocupação. “Tenho família no Brasil, todos muito preocupados, mas eles precisam saber que estamos aqui fortes e preparados”, declarou.

israel irãO coronel M., comandante dos Distritos de Jerusalém e Central no Comando da Frente Interna de Israel | FOTO: Arquivo pessoal (Foto: Divulgação/FDI)

Irã é uma ameaça para todo o mundo

O oficial israelense afirmou que a ameaça representada pelo Irã não se limita ao território de Israel.

“Essa ameaça [do Irã] não é só uma ameaça para o Estado de Israel. A gente viu mísseis sendo lançados também para o Chipre, para a Turquia, para países do Golfo. O Irã não é uma ameaça só para Israel, é uma ameaça para o Oriente Médio como um todo e para todo o mundo”, afirmou.

Desde o início do conflito, drones e mísseis iranianos atingiram diversos países do Golfo, provocando vítimas e danos a instalações civis e estratégicas. Autoridades registraram ataques e incidentes de segurança em diferentes pontos da região, incluindo explosões próximas a áreas urbanas, instalações diplomáticas e estruturas militares no Golfo, no Iraque e em outros países do Oriente Médio. Forças da Otan também derrubaram mísseis iranianos lançados contra o espaço aéreo da Turquia e drones do Irã caíram em bases europeias no Chipre.

Defesa civil em Israel e a preparação para ataques

Na entrevista, o coronel M. afirmou que Israel mantém há anos um sistema permanente de preparação para proteger a população civil em caso de guerra, com atuação conjunta das Forças de Defesa, autoridades locais e serviços de emergência. Segundo ele, a estrutura foi construída ao longo de diferentes conflitos enfrentados pelo país nas últimas décadas.

“Não é a primeira vez que a população civil israelense é atacada. Já aconteceu com o Hamas, a partir de Gaza, depois com o Hezbollah, a partir do Líbano, e agora com o Irã. É um trabalho de anos que fazemos junto com prefeituras, municípios, órgãos do governo e com a própria população”, afirmou.

De acordo com o oficial, a preparação inclui treinamento constante da população para situações de emergência, com orientações claras sobre como agir durante ataques com mísseis ou drones.

“As crianças aprendem desde cedo o que fazer quando toca o alarme. Elas sabem que precisam ir para o bunker, ficar protegidas e seguir as instruções do Comando da Frente Interna. Quanto mais a população respeita essas orientações, mais vidas conseguimos salvar”, disse.

Segundo o oficial, a principal missão do Comando da Frente Interna, que ele lidera, durante este conflito é reduzir o número de vítimas entre civis, mesmo diante de ataques frequentes contra áreas urbanas.

“Nossa missão é salvar vidas, e é isso que estamos fazendo”, afirmou.

Os objetivos na guerra contra o Irã e a ameaça do Hezbollah

Questionado sobre os objetivos da guerra contra o Irã e se a operação está alinhada com as metas anunciadas pelos Estados Unidos – como a destruição da capacidade balística iraniana e o enfraquecimento do programa nuclear – M. afirmou que há interesses em comum entre os dois países e que, da parte de Israel, as operações devem continuar até que todos os objetivos sejam concluídos.

“Eu sei que temos muitos interesses em conjunto, nós e os americanos, e por nós, pelo menos, até não completar todos os objetivos, estamos prontos para ficar e fazer tudo o que for necessário”, afirmou.

Sobre o Hezbollah, o oficial relatou que o grupo terrorista hoje não representa apenas uma ameaça para o Estado de Israel, mas também para o próprio Líbano. Ele afirmou que, mesmo após acordos de cessar-fogo, a organização terrorista tentou se rearmar e recuperar sua capacidade militar.

O oficial acrescentou que a existência de um grupo armado com estrutura militar própria dentro do território libanês é um problema para o próprio governo do Líbano.

“Acho que não é uma situação normal ter um exército paralelo dentro de um Estado soberano”, disse M.

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