Uma idosa judia de 71 anos foi esfaqueada na última quarta-feira (27) em um supermercado em Ottawa, capital do Canadá, por um homem com um longo histórico de antissemitismo nas redes sociais.
Segundo a Polícia de Ottawa, a vítima estava no estabelecimento com uma grande porção de comida kosher (judaica) acompanhada de um amigo, quando foi abordada pelo homem que a esfaqueou. Na última quinta-feira as autoridades confirmaram que tanto a agredida quanto o agressor não se conheciam.
Após sofrer o ataque, a idosa foi socorrida por funcionários do supermercado, levada ao hospital por paramédicos e posteriormente liberada.
O homem, identificado como Joseph Rooke, foi preso pela polícia no local do crime e acusado de agressão agravada e posse de arma perigosa.
O prefeito de Ottawa, Mark Sutcliffe, nas redes sociais, se disse “profundamente triste e angustiado ao saber do ataque injustificado” à idosa e afirmou estar em contato com “membros da família da vítima e líderes da comunidade judaica” local.
“Essa violência repugnante causou, de forma compreensível, grande angústia na comunidade judaica de Ottawa. [..] Devemos nos unir contra a violência e o ódio em todas as suas formas e continuar trabalhando juntos para garantir que Ottawa permaneça uma cidade segura e inclusiva para todos. Meus pensamentos estão com a vítima e seus entes queridos, e me junto à comunidade para desejar a ela uma recuperação completa e rápida”, completou.
O Centro para Israel e Assuntos Judaicos e a B’nai Brith do Canadá, dois órgãos ativos de combate ao ódio contra judeus no país, alegaram que o motivo do ataque foi antissemitismo, apontando postagens em uma conta de rede social supostamente de propriedade de Rooke como prova.
“Sou antissemita e ateu”, declarou o agressor nas redes no dia 1º de julho, detalhando seu ódio por Israel e pelo judaísmo como “o culto mais antigo do mundo”.
“Ao longo de milhares de anos, o judaísmo se tornou um culto de linhagens baseado no absurdo da crença judaica de que um deus inexistente os escolheu para serem o seu povo escolhido da Terra. Não há a mínima dúvida na mente judaica sobre sua supremacia”, teria escrito como Joe Rooke, que culpabiliza os judeus pelo “genocídio em Gaza”.
Em 12 de outubro, cinco dias após os atos criminosos do Hamas, Rooke destacou que, embora nenhum lado fosse inocente, Israel forçou os terroristas a cometerem o massacre de 7 de outubro ao não aceitar uma solução de dois Estados.
“Assim, com o tempo, os judeus se tornaram insidiosos em governos, empresas, conglomerados de mídia e instituições educacionais, a fim de fazer o que fazem melhor do que ninguém. Os judeus são os mestres mundiais da propaganda, do gaslighting, da demonização, da demagogia e da mentira descarada. Usando sua riqueza coletiva, tornaram-se mestres da represália. Qualquer pessoa acusada de antissemitismo é perseguida e perseguida em público, na mídia e na academia” teria dito em outra postagem.
A B’nai Brith diz que alertou os líderes canadenses sobre os perigos de permitir que o antissemitismo se propague sem controle.
“O que aconteceu com a nossa nação? O que aconteceu com os valores canadenses?”, disse a organização judaica.