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Governo quer controlar volume de carne que empresas exportam para a China por risco de colapso no setor

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está defendendo regular a quantidade de carne bovina que empresas brasileiras podem exportar para a China, diante de um alegado risco de colapso de preços e emprego no setor, segundo ofício do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) obtido pelo jornal Folha de S.Paulo.

O eventual cenário seria consequência das salvaguardas impostas pela China no fim do ano passado para a importação da proteína animal, de acordo com a publicação.

Como forma de proteger produtores locais, o país asiático estabeleceu, para este ano, um limite de importação de carne brasileira sob a tarifa de 12%. O que exceder 1,1 milhão de toneladas terá uma sobretaxa de 55%, resultando em um patamar proibitivo de 67%.

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Com base em dados do ano passado, a análise do Mapa estima que deve haver uma redução de cerca de 35% na demanda chinesa pelo produto, o que corresponderia a 600 mil toneladas.

“Em cenário de ausência de resposta coordenada do governo brasileiro, a tendência é de forte desorganização dos fluxos comerciais, com impactos relevantes sobre toda a cadeia produtiva”, diz o ofício, assinado por Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, segundo a Folha.

No documento, o secretário lista diferentes consequências que a falta de controle para as vendas à China pode provocar:

  • corrida desordenada de exportadores, com antecipação de embarques e contratos para ocupar a maior fatia da cota chinesa
  • queda dos preços em razão da competição entre frigoríficos nacionais;
  • excesso de oferta em outros mercados caso a produção inicialmente destinada à China seja redirecionada a outros países;
  • efeito em cascata sobre produtores rurais em áreas dependentes da pecuária; e
  • possibilidade de as cotas chinesas serem preenchidas apenas por grupos empresariais de grande porte.

“Em síntese, a ausência de qualquer mecanismo nacional de administração das exportações em face do teto imposto pelo importador [China] cria incentivos à competição desordenada entre empresas brasileiras, amplifica o choque negativo de demanda e aumenta o risco de colapso de preços e de emprego no setor”, diz o documento.

A lista de frigoríficos brasileiros que exportam para a China inclui gigantes como a JBS, a Minerva e a Marfrig.

A pasta propõe que haja uma distribuição proporcional entre os exportadores privados de acordo com o histórico recente de vendas à China. Além disso, sugere que haja um mecanismo para a inclusão de novos e pequenos exportadores, que teriam direito a uma reserva técnica. Para o controle das cotas, propõe o uso de licenças de exportação, com bloqueio automático de embarques que excedam os limites autorizados.

A China foi o principal destino da carne bovina brasileira em janeiro, com importações que somaram 123,2 mil toneladas, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

O volume representa um aumento de 35% em relação ao primeiro mês de 2025, quando o país comprou 91,2 mil toneladas da proteína brasileira.

O ofício do Mapa é destinado à secretaria-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), vinculada ao MDIC.

A recomendação do Mapa é que a criação de um sistema de cotas de exportação para empresas brasileiras seja deliberado na próxima reunião do Comitê Executivo de Gestão da Camex (Gecex), previsto para esta quinta-feira (12).

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