quinta-feira , 5 março 2026
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Governo brasileiro busca alternativas aos EUA após tarifa de Trump

A viagem do vice-presidente Geraldo Alckmin ao México e Canadá marca mais do que uma missão comercial: é o primeiro movimento visível da reorientação internacional que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende imprimir à política externa brasileira após o tarifaço imposto pelos Estados Unidos.

Desde o anúncio de Donald Trump, que elevou para 50% as tarifas sobre produtos brasileiros, o governo tem acelerado negociações para diversificar mercados e reduzir a dependência do segundo maior parceiro comercial do país.

A nova postura é pragmática e urgente. Estima-se que mais de US$ 22 bilhões em exportações brasileiras estejam submetidas às tarifas americanas, o que representa 55% de tudo que o Brasil vende aos EUA.

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A resposta de Lula tem sido reforçar laços com parceiros alternativos, sobretudo dentro da América Latina, e buscar maior inserção em blocos multilaterais.

A missão de Alckmin nesta semana é exemplo disso. No México, o vice-presidente assinou acordos comerciais com foco em agropecuária, bioenergia, indústria e tecnologia. As reuniões envolveram mais de 100 empresários brasileiros e reforçaram o interesse do governo em transformar o México, hoje o sétimo maior destino das exportações brasileiras, em uma plataforma logística para acessar o mercado norte-americano por vias indiretas.

O mesmo vale para o Canadá, que passará a integrar um eixo de cooperação comercial e ambiental com o Brasil.

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“É hora de ampliar o comércio, diversificar parcerias e criar pontes em vez de barreiras”, afirmou Alckmin em discurso nesta quarta-feira (27).

Ele também destacou que Brasil e México são as duas maiores democracias da América Latina e que há espaço para uma agenda de “ganha-ganha”, inclusive no campo ambiental. Lula já havia dado o tom em reuniões internas ao defender que o Brasil “não pode aceitar ser tratado como inimigo por quem sempre foi parceiro”.

A movimentação brasileira também tem implicações geopolíticas. Ao se aproximar de potências latino-americanas como México e Argentina, e ao costurar acordos com países do Oriente Médio, da Europa e da Ásia, Lula tenta reposicionar o Brasil como articulador global e defensor do multilateralismo.

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Isso ocorre num momento em que os EUA, sob Trump, adotam um discurso protecionista e hostil, inclusive com insinuações políticas, como a declaração de que o Brasil “não respeita os direitos humanos” por investigar aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na prática, essa mudança de rota pode levar a uma nova configuração nas cadeias produtivas. Setores como carnes, café, soja, etanol, máquinas e tecnologia já demonstram interesse em ampliar presença no México e em outros mercados.

A ApexBrasil identificou 72 países com potencial para absorver parte das exportações brasileiras afetadas pelas tarifas norte-americanas, sendo o México um dos dez principais destinos.

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A diplomacia brasileira também vê oportunidade para avançar em acordos do Mercosul com países como Canadá, Singapura, Emirados Árabes e o bloco EFTA (que reúne Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein). Segundo Alckmin, essas articulações refletem a aposta de Lula no comércio multilateral e no reposicionamento do Brasil como potência econômica em busca de equilíbrio nas relações internacionais.

Ainda é cedo para prever o impacto completo da guinada brasileira, mas a mensagem está clara: o Brasil não aceitará isolamento nem imposições unilaterais. A meta, segundo integrantes do governo, é reequilibrar a balança comercial, proteger os exportadores nacionais e consolidar o país como voz ativa num mundo em transição. Nas palavras de Alckmin: “É hora de construir pontes, não muros”.

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