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França anuncia que vai expandir seu arsenal nuclear e inclui Europa em estratégia de dissuasão

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta segunda-feira (2) que o país ampliará seu arsenal nuclear e passará a incluir aliados europeus em uma nova estratégia de dissuasão, em meio a um cenário internacional que classificou como “cada vez mais instável”. O anúncio foi feito durante discurso na base naval de Île Longue, na região de Bretanha, onde estão estacionados os submarinos nucleares franceses.

Na ocasião, Macron afirmou que a França entrará em uma “nova fase” de sua política nuclear e que o número de ogivas, atualmente estimado em cerca de 290, será ampliado. Ele não informou quantas novas armas serão incorporadas e indicou que Paris deixará de divulgar publicamente o tamanho exato de seu arsenal.

“Os próximos 50 anos serão uma era das armas nucleares”, declarou o presidente francês.

Macron também anunciou o lançamento, previsto para 2036, de um novo submarino nuclear, que se chamará “The Invincible”. Atualmente, a França possui quatro submarinos com capacidade nuclear: Le Triomphant, Le Téméraire, Le Vigilant e Le Terrible. Todos estão estacionados na base de Île Longue.

Macron informou ainda que oito países europeus, Reino Unido, Alemanha, Polônia, Holanda, Bélgica, Grécia, Suécia e Dinamarca, concordaram em participar de uma estratégia que chamou de “dissuasão avançada”. A proposta permitirá que esses países participem de exercícios ligados à capacidade nuclear aérea francesa e possam receber, temporariamente, aeronaves com capacidade nuclear.

O presidente ressaltou, no entanto, que a decisão sobre o eventual uso de armas nucleares continuará sendo prerrogativa exclusiva da França. A Constituição francesa estabelece que o presidente é o comandante-chefe das Forças Armadas e o único com autoridade para aprovar o emprego de armamento nuclear.

Dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI) e da Federação de Cientistas Americanos (FAS), citados por veículos internacionais, indicam que a França é a quarta maior potência nuclear do mundo, atrás de Rússia, Estados Unidos e China. Mais de 80% das ogivas francesas são lançadas por submarinos, segundo a organização Bulletin of the Atomic Scientists, que analisa os riscos globais relacionados às armas nucleares e à proliferação atômica.

Em seu discurso, Macron afirmou que o fortalecimento do arsenal francês é uma resposta ao que descreveu como um ambiente estratégico marcado pela guerra da Rússia na Ucrânia e por incertezas sobre o compromisso dos Estados Unidos com a segurança europeia. Segundo o jornal The New York Times, o movimento é visto como um passo significativo para reforçar a autonomia estratégica do continente europeu, sem substituir formalmente o guarda-chuva nuclear da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

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