As anotações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que sugeriam uma alternativa ao nome de Mateus Simões (PSD) como candidato do bolsonarismo ao governo de Minas Gerais apresentaram um novo ator na disputa local: o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe. Em documento rascunhado pelo presidenciável, o vice-governador, apoiado por Romeu Zema (Novo) e Nikolas Ferreira (PL-MG), é citado como uma pessoa que poderia “puxar para baixo” o projeto presidencial do senador.
Dentro do PL, há hoje três hipóteses em Minas, estado visto como crucial para a corrida nacional: embarcar na candidatura de Simões, na do senador Cleitinho (Republicanos) ou lançar um terceiro nome — entre esses, o mais citado passou a ser Roscoe.
Empresário do setor têxtil há mais de três décadas, Roscoe está em seu segundo mandato à frente da principal entidade de representação industrial do estado, cargo que ocupa desde 2018. Sem trajetória eleitoral, ele ganhou projeção ao atuar como interlocutor do setor produtivo junto à gestão Zema, defendendo pautas de ajuste fiscal e melhoria do ambiente de negócios.
Nos bastidores do PL mineiro, o nome do empresário passou a circular como alternativa de candidatura própria capaz de funcionar como ponto de equilíbrio interno caso o partido não consiga convergir nem para o grupo ligado ao governo estadual nem para a candidatura de Cleitinho.
A eventual candidatura é tratada como plano alternativo e dependeria da manutenção do impasse político nas próximas semanas. Após o vazamento de suas anotações, Flávio afirmou que as avaliações registradas no documento não refletem posições pessoais suas, mas opiniões e palpites apresentados por lideranças locais durante conversas políticas.
Críticas ao STF
Dirigentes avaliam que o perfil empresarial poderia reduzir resistências entre diferentes alas da direita e evitar que a legenda fique subordinada ao projeto presidencial de Zema ou aprofunde disputas internas do bolsonarismo.
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Além da presidência da Fiemg, Roscoe ocupa a vice-presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e preside o Conselho de Infraestrutura da entidade, ampliando sua atuação para o plano nacional. Antes disso, comandou por 16 anos o Sindicato das Indústrias Têxteis de Malhas de Minas Gerais (Sindimalhas) e mantém participação em conselhos ligados a crédito, pesquisa e formação empresarial.
De forte atuação nas redes sociais, caso seja candidato, seus adversários devem explorar a entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, no ano passado, na qual afirmou que “idiota é quem trabalha com carteira assinada”, culpando programas como o Bolsa Família pela suposta falta de mão de obra nas indústrias.
Já a Fiemg, sob seu comando, foi amicus curiae (participou do julgamento como parte interessada) nas ações no Supremo Tribunal Federal (STF) que questionaram a suspensão do X no Brasil, em 2024. Em nota, a entidade afirmou que a decisão afetava não só “a liberdade individual”, mas comprometia “as atividades de inúmeras empresas, que consideram o ambiente digital uma parte fundamental de suas operações”.
Três anos antes, a federação divulgou um manifesto com críticas ao Supremo e apoio a temas defendidos pelo então presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião a Fiemg pediu que o STF revisasse sanções e a possibilidade de desmonetização de sites e portais de notícias acusados no inquérito das fake news. Segundo a entidade, tratava-se de uma luta pela “segurança jurídica e institucional” e contra o “cerceamento à liberdade de expressão”.
Divisão no PL local
A divulgação das anotações explicitou a divisão existente entre dirigentes e parlamentares do PL em Minas. Parte do partido concorda com a avaliação atribuída ao senador e sustenta que Simões enfrenta dificuldades eleitorais e poderia comprometer o desempenho do bolsonarismo no estado. Além do desempenho ainda limitado em levantamentos internos, aliados apontam como principal obstáculo sua ligação com Zema, hoje tratado como possível presidenciável e, portanto, potencial adversário de Flávio.
Há hoje uma disputa interna na sigla entre alas representadas por Nikolas Ferreira, que resistiu às investidas para ser candidato, e pelo deputado estadual Bruno Engler, historicamente aliados, mas que estão em posições distintas sobre a sucessão estadual. Procurado, Nikolas não comentou.
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Ao Globo, Engler afirmou que qualquer candidatura ao governo apoiada pelo partido precisa assumir compromisso explícito com a candidatura presidencial de Flávio.
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