quinta-feira , 12 março 2026
💵 DÓLAR: Carregando... | 💶 EURO: Carregando... | 💷 LIBRA: Carregando...

Federação de advogados defende transparência em investigação do Banco Master no STF

A Federação Nacional dos Institutos dos Advogados do Brasil (Fenia) defendeu nesta sexta-feira (23) a necessidade de transparência e publicidade na investigação do Banco Master. Em nota técnica, a entidade reforçou que o acesso à informação é um pilar do Estado Democrático de Direito.

Sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, o inquérito tramita em sigilo elevado no Supremo Tribunal Federal (STF). Com isso, o público não pode ter acesso aos autos, nem à movimentação do processo.

A Fenia argumenta que o sigilo processual só é legítimo quando indispensável para proteger direitos fundamentais, exigindo sempre uma fundamentação concreta e proporcional.

VEJA TAMBÉM:

A entidade ressalta que a falta de transparência em processos de grande repercussão alimenta a desinformação e estimula interpretações especulativas que fragilizam as instituições.

A oposição tenta afastar Toffoli do caso Master, apontando possível conflito de interesses. Entre os fatos citados nas denúncias, estão a compra da participação de irmãos do ministro no resort de luxo Tayayá, em Ribeirão Claro, no interior do Paraná; a viagem do magistrado para Lima, no Peru, na companhia do advogado de uns investigados pela Polícia Federal; entre outros.

Segundo a nota técnica, a publicidade do caso é uma “técnica de contenção do poder” para evitar o risco de substituir o texto da lei pela vontade individual de quem julga, o que prejudica a legitimidade das decisões.

“Em uma ordem constitucional republicana, a publicidade dos atos jurisdicionais não é mero instrumento de comunicação institucional, mas técnica de contenção do poder: onde o exercício da jurisdição se afasta do escrutínio público, abre-se espaço para a substituição silenciosa do texto normativo pela vontade do intérprete, com prejuízo direto à legitimidade democrática das decisões”, disse a federação.

A entidade destaca que o caso Master e processos com “repercussões econômicas relevantes” são de “interesse público qualificado”, impondo ao Estado — inclusive ao Poder Judiciário — “a adoção da máxima publicidade compatível com a proteção de direitos fundamentais”.

Além disso, considera que o dever de transparência é reforçado para garantir o controle social, a segurança jurídica, a previsibilidade e a legitimidade das decisões judiciais. O documento destaca que a exigência de transparência está fundamentada em um conjunto de normas nacionais e internacionais.

O Brasil é signatário da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção e a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, que asseguram o direito de buscar e difundir informações de interesse público. Na Constituição Federal, a transparência é um princípio estruturante (Art. 5º e 37), tornando a publicidade um “dever constitucional”.

A federação cita ainda que a Lei de Acesso à Informação (LAI) estabelece que o acesso é a regra, enquanto o sigilo é uma exceção estrita. Já o Código de Ética da Magistratura Nacional impõe deveres de transparência para preservar a confiança pública.

Atuação de Toffoli no caso Master é questionada

A Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou três pedidos da oposição para afastar Toffoli da relatoria do caso Master. Outra representação no mesmo sentido ainda é analisada pela PGR. Diante das críticas, o presidente do STF, Edson Fachin, defendeu a atuação de Toffoli em uma nota oficial divulgada nesta quinta-feira (22).

Sem citar diretamente o banco de Vorcaro, ele rechaçou as tentativas de “desmoralização” do Judiciário e afirmou que o STF não se curva a ameaças ou intimidações.

Fachin disse que a crítica é legítima e necessária, mas que “a história será implacável” com aqueles que buscam destruir instituições para proteger “interesses escusos ou projetos de poder”.

fonte

Verifique também

Quem participou da degustação de luxo bancada por Daniel Vorcaro em Londres?

Em abril de 2024, uma degustação de uísque de R$ 3 milhões em Londres reuniu …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *