DO REPÓRTERMT
Durante o julgamento realizado nesta quinta-feira (22), em Nova Mutum (a 241 km de Cuiabá), Romero Xavier Mengarde, acusado de ser o mentor intelectual da morte da ex-esposa, Raquel Maziero Cattani, negou qualquer envolvimento no planejamento do crime. Frente aos jurados, ele buscou se distanciar das declarações do irmão, Rodrigo Xavier Mengarde, que confessou ter desferido 34 facadas na empresária, dizendo que o executor pode ter agido por “ressentimento” ou “raiva contra ele próprio”.
Enquanto Rodrigo, o autor confesso do homicídio ocorrido em julho de 2024, optou pelo direito constitucional de permanecer em silêncio, Romero usou seu tempo de fala para contestar a denúncia do Ministério Público. Ele afirmou que o pedido de separação, ocorrido 30 dias antes do crime, partiu dele e não da vítima. Além disso, alegou que mantinha uma relação distante com o irmão devido ao histórico criminal de Rodrigo.
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Contradições e álibi
Ao ser confrontado pela promotoria sobre a dinâmica do dia do crime, Romero manteve a versão de que esteve com os filhos na casa dos sogros e depois seguiu para a casa da mãe, em Tapurah, onde teria passado a madrugada bebendo com conhecidos.
Entretanto, o Ministério Público apontou contradições em suas declarações. Na fase policial, Romero negou ter tido contato com Rodrigo no dia do assassinato, mas mudou a versão após investigadores apresentarem provas de conexões telefônicas entre os dois. Na nova declaração, ele admitiu ter dado carona ao irmão até um posto de saúde, mas negou ter fornecido transporte para o local do crime ou repassado os R$ 4 mil que Rodrigo afirma ter recebido para executar a produtora rural.
Insinuação de vingança familiar
Questionado sobre o motivo de o próprio irmão o apontar como mandante em depoimentos anteriores, Romero afirmou desconhecer a razão, mas reforçou a tese de que Rodrigo poderia estar tentando prejudicá-lo por questões de foro íntimo.
“Não sei por que ele me apontou, talvez tenha algum ressentimento comigo“, declarou.
Raquel Cattani, filha do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), foi morta dentro de sua propriedade no Pontal do Marape. A acusação sustenta que o crime foi meticulosamente planejado por Romero, que não aceitava o fim do relacionamento e a nova fase da vida de Raquel. O julgamento segue com os debates entre defesa e acusação antes da decisão do Conselho de Sentença.
O crime
Romero Xavier foi casado com Raquel por cerca de dez anos e não aceitava o fim do relacionamento. Segundo o Ministério Público, ele planejou o assassinato da ex-mulher e ofereceu R$ 4 mil ao irmão, Rodrigo Xavier, para matá-la.
Com isso, Rodrigo entrou na casa da vítima por uma janela, no Assentamento Pontal do Marape, na noite do dia 18 de julho daquele ano, e aguardou a chegada dela.
Raquel foi atacada com 34 facadas e, em seguida, o assassino revirou o quarto dela para forjar uma cena, furtou diversos pertences e fugiu usando a motocicleta da vítima.
O corpo foi encontrado no dia seguinte pela mãe de Raquel, Sandra Cattani.
Pelos crimes, Romero foi denunciado pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, emboscada, promessa de recompensa e feminicídio, cuja pena pode chegar a até 30 anos de prisão.
Já Rodrigo foi denunciado pelos mesmos crimes, além de furto qualificado.
O julgamento, presidido pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, segue ao longo desta quinta-feira com o depoimento de outras testemunhas. A decisão final sobre a condenação dos irmãos Xavier cabe ao Conselho de Sentença, formado por sete jurados.
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