FERNANDA ESCOUTO
DO REPÓRTERMT
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa da empresária Julinere Goulart Bentos, acusada de ser a mandante do assassinato do advogado Renato Nery, ocorrido em julho de 2024, em Cuiabá. A decisão foi proferida pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca, que não identificou ilegalidade na manutenção da prisão preventiva.
A defesa alegou que Julinere deveria cumprir a prisão em casa por ser mãe de uma adolescente de 16 anos diagnosticada com TDAH e transtorno de ansiedade e pelo fato de o pai da jovem também estar preso.
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O ministro ressaltou, porém, que o benefício previsto em lei se aplica apenas a mães de crianças de até 12 anos, o que não se enquadra no caso. Além disso, destacou que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso ainda não analisou o mérito do habeas corpus, o que impede o STJ de fazer uma intervenção antecipada.
Julinere e o marido, Cesar Jorge Sechi, são acusados de ordenar o homicídio de Nery, que levou sete tiros em frente ao próprio escritório, na avenida Fernando Corrêa, e morreu no dia 5 de julho de 2024. As investigações apontam que a motivação do crime seria o profundo ressentimento do casal após perderem uma disputa judicial por uma área de terra no município de Novo São Joaquim, a 440 quilômetros de Cuiabá.
Testemunhas relataram que a empresária fazia ameaças públicas, afirmando que o advogado “não ia viver para gastar o que tomou dela”.
Segundo a Polícia Civil, Julinere articulou contatos para viabilizar a execução do crime e, durante a investigação, chegou a confessar informalmente ao delegado Bruno Abreu que havia mandado o policial militar Jackson Pereira Barbosa matar Renato Nery, embora tenha alegado posteriormente que desistiu. Ela também disse que era extorquida pelo PM e que chegou a transferir dinheiro via Pix.
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Os investigadores apontam que o assassinato foi encomendado por R$ 200 mil. O também policial militar Heron Teixeira teria atuado como intermediário, contratando Alex Roberto para executar a ação. O crime, segundo a Polícia, foi estruturado com divisão de tarefas e atuação organizada entre os envolvidos.
Com a decisão do STJ, Julinere permanece presa preventivamente enquanto o Tribunal de Justiça de Mato Grosso analisa o mérito do pedido de habeas corpus.
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