sexta-feira , 27 março 2026
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Eduardo minimiza atritos entre Flávio Bolsonaro e Michelle: ‘Partido é hierarquia’

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) contemporizou relatos de atritos entre o irmão, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Em Dallas para discursar na CPAC, conferência que reúne lideranças conservadoras de diversos países, o ex-parlamentar evitou comentar quem deve ser indicado como vice na chapa de Flávio e disse “receber com alegria” a possibilidade de ser chanceler num eventual governo do irmão.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Eduardo jogou panos quentes sobre os possíveis desentendimentos entre Flávio e Michelle.

— Se ela ficou chateada por alguma ação do Flávio, eles têm que sentar para conversar e se entender — destacou, sem detalhar que ações poderiam ser essas, antes de mencionar indiretamente a escolha do senador como sucessor do pai na corrida ao Planalto. — Eu acho que a decisão para a Presidência do Jair Bolsonaro não via, essencialmente, que tivesse que passar por ela. Um partido é uma hierarquia.

A viagem ocorre em meio à previsão de alta hospitalar do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando passa a valer a prisão domiciliar. Na avaliação de aliados, a domiciliar pode ampliar o protagonismo de Michelle, hoje em divergência com o núcleo político liderado por Flávio.

Como O GLOBO mostrou, a leitura no entorno é que a domiciliar acelera um movimento que já vinha em curso desde a crise do Banco Master e a internação do ex-presidente: Michelle avança sobre a articulação política enquanto Flávio conduz, à distância, a montagem dos palanques. A diferença de atuação tem produzido atritos, sobretudo porque a ex-primeira-dama não participa das reuniões da pré-campanha nem se engajou nas agendas organizadas pelo senador.

Interlocutores relatam que Michelle mantém resistência à estratégia de alianças liderada por Flávio e, em conversas reservadas, já indicou preferência por uma alternativa à sua candidatura, tendo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como principal referência. A relação entre os dois é antiga e próxima e, no entorno do PL, é vista como um contraponto ao núcleo político liderado por Flávio.

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Com Bolsonaro em casa, Michelle deve ganhar margem para organizar agendas, filtrar interlocutores e interferir na definição de palanques, áreas hoje centralizadas por Flávio. O redesenho ocorre em meio a divergências já abertas em estados estratégicos, como Distrito Federal, Ceará e São Paulo.

No mês passado, anotações feitas por Flávio sobre a formação de chapa no Distrito Federal expuseram mais um ponto de tensão entre o pré-candidato e a ex-primeira-dama. No esboço registrado durante reuniões na sede do partido, o apoio à vice-governadora Celina Leão (PP) para o governo local aparece condicionado a uma definição do governador Ibaneis Rocha (MDB) sobre disputar o Senado. A ressalva coloca em compasso de espera um arranjo que vinha sendo tratado como natural no entorno de Michelle, aliada política de Celina no DF.

Esta será a quinta viagem internacional do parlamentar, desde que anunciou seu plano de concorrer ao Palácio do Planalto. O evento ocorre em Dallas, no Texas, e também conta com a participação de Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos há mais de um ano. A programação começa hoje e vai até sábado. A previsão é de que Flávio discurse apenas no último dia.

Na entrevista à Folha, Eduardo disse acreditar que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, será o cabeça de chapa do PSD na corrida ao Planalto, mas negou que isso signifique divisão de votos na direita. Ele disse considerar que o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, outro nome cotado para a vaga, é “social-democrata, que é um nome bonitinho para socialista”.

— [Caiado] É mais um no debate para elogiar Lula — ironizou, antes de evitar comparar o governador de Goiás com Padre Kelmon, que disputou a Presidência e fez uma “dobradinha” com Jair Bolsonaro em ataques ao petista em debates em 2022. — O nível de pancada do Caiado, com todo respeito ao Padre Kelmon, é muito maior.

Eduardo ainda indicou que, por onde passa, tem pedido o retorno da aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, a quem acusa de perseguir bolsonaristas.

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