O regime da China acusou o general de mais alta patente do país, Zhang Youxia, de vazado segredos nucleares aos EUA, colocando em risco as operações militares do gigante asiático, segundo revelou o jornal americano The Wall Street Journal, após a investigação anunciada neste fim de semana contra o “número 2” da cadeia de comando militar do país asiático.
Ele também é investigado por aceitar subornos em troca de atos oficiais, incluindo a promoção de um oficial ao cargo de ministro da Defesa, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.
A publicação cita fontes anônimas que teriam conhecimento dos detalhes de uma sessão informativa de alto nível, da qual teriam participado alguns dos oficiais do mais alto escalão das Forças Armadas chinesas.
Segundo a reportagem, a acusação de vazar “dados técnicos fundamentais sobre as armas nucleares da China” aos EUA estaria relacionada à investigação também aberta na semana passada contra Gu Jun, ex-diretor-geral da estatal CNNC, responsável pelos programas nucleares do país, tanto civis quanto militares.
Não foram oferecidos mais detalhes sobre as supostas falhas de segurança vinculadas a Zhang, vice-presidente sênior da Comissão Militar Central (CMC, órgão máximo dirigente do Exército chinês), o que o coloca como o segundo na hierarquia militar do país, atrás apenas do ditador chinês, Xi Jinping, que chefia o órgão.
Zhang também é um dos 24 membros do Politburo, o segundo escalão de comando do Partido Comunista Chinês.
Outras acusações contra o general seriam a de “formar facções políticas” – ou seja, redes de influência que prejudicam a unidade do Partido -; “abusar de sua autoridade” dentro da CMC; e “aceitar subornos vultosos” em troca de facilitar promoções, como a de Li Shangfu, que chegou a ser ministro da Defesa em 2023 antes de cair em desgraça, caso que seria fundamental na própria queda de Zhang.
Segundo o Journal, as autoridades chinesas teriam confiscado dispositivos de vários oficiais que ascenderam junto com Zhang e também do general Liu Zhenli, chefe do Departamento do Estado-Maior Conjunto da CMC, contra quem também foram anunciadas investigações.
“Milhares de oficiais com laços com ambos se tornaram alvos potenciais” das apurações, diz a reportagem.
Também estaria sendo verificado o papel de Zhang como supervisor de uma agência encarregada de pesquisa e desenvolvimento e contratos de material militar. Xi teria ordenado investigar “a fundo” o período em que Zhang esteve em Shenyang (norte), entre 2007 e 2012.
Uma figura-chave
Neste domingo (25), um editorial publicado no jornal oficial do Exército acusou Zhang e Liu de “enfraquecer” a autoridade de Xi dentro da CMC, de exacerbar os problemas de corrupção nas Forças Armadas e de “prejudicar” a preparação para o combate real antes do centenário, em 2027, da fundação do Exército de Libertação Popular (ELP).
Nesse ano, segundo o Pentágono, Pequim busca ter as capacidades para lançar uma invasão a Taiwan e cumprir o objetivo declarado de Xi de alcançar a “reunificação” da China com a ilha.
Zhang era considerado uma figura fundamental nos planos de Xi para modernizar as Forças Armadas e também o aliado militar mais próximo do ditador, em parte porque os pais de ambos, o general Zhang Zongxun e o vice-primeiro-ministro (1959-1965) Xi Zhongxun, lutaram juntos na guerra civil que resultou na fundação da República Popular da China em 1949.
Desde que chegou ao poder em 2012, Xi impulsionou sucessivos expurgos no comando das Forças Armadas, movimentos destinados tanto a combater a corrupção entre as fileiras quanto a reforçar a lealdade dos chefes militares ao Partido Comunista e à sua liderança.
Entre os líderes militares alvos de expurgo destacam-se o “número 3” do Exército, He Weidong; Miao Hua, almirante considerado próximo a Xi; os ministros da Defesa Wei Fenghe (2018-2023) e Li Shangfu (março-outubro de 2023); e os comandantes da Força de Foguetes Li Yuchao e Wang Houbin.
Em uma declaração ao WSJ, Liu Pengyu , porta-voz da Embaixada da China em Washington, disse que a decisão do partido de investigar Zhang reforça a postura da liderança de “uma abordagem de cobertura total e tolerância zero no combate à corrupção”.
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