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AtlasIntel: desaprovação de Lula vai a 53,5% e expõe desgaste persistente

A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (25) mostra que 53,5% dos brasileiros desaprovam o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto 45,9% aprovam a gestão. O resultado mantém a rejeição acima da metade do eleitorado e confirma um padrão já observado na rodada de fevereiro.

A comparação entre os levantamentos indica que o movimento não é pontual. A desaprovação já se mantinha elevada anteriormente e segue concentrada nos mesmos segmentos, o que reduz a margem de recuperação no curto prazo.

Os recortes demográficos mostram que o desgaste segue concentrado nos mesmos grupos identificados anteriormente. Entre jovens, a rejeição continua sendo o principal ponto de atenção. Em fevereiro, eleitores de 16 a 24 anos já registravam 58,6% de desaprovação, com baixa taxa de aprovação.

Esse comportamento tende a se refletir na média atual e indica dificuldade do governo em dialogar com um eleitorado mais sensível a expectativas econômicas e de inserção no mercado de trabalho.

Na renda, o movimento ganha relevância eleitoral. Em março, Lula já enfrenta desaprovação superior à aprovação entre eleitores com renda de até R$ 2 mil, um grupo historicamente associado ao PT. Em fevereiro, esse segmento já apresentava 56,8% de rejeição, sinalizando que a perda de apoio na base de menor renda não é pontual, mas estrutural.

A pressão é ainda mais intensa na faixa intermediária. Eleitores com renda entre R$ 3 mil e R$ 5 mil concentram um dos piores desempenhos do presidente, com rejeição elevada. Esse grupo costuma reagir com mais rapidez a inflação, crédito e renda disponível, o que amplia a sensibilidade ao ambiente econômico.

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Religião e gênero

O recorte religioso segue como uma das principais barreiras de crescimento. Em março, a desaprovação entre evangélicos alcança patamar elevado, repetindo o padrão observado em fevereiro, quando esse grupo já registrava 74,2% de rejeição. Trata-se de um eleitorado com comportamento mais coeso e capacidade de mobilização, o que reforça a competitividade do campo bolsonarista.

Entre católicos, Lula mantém vantagem, mas insuficiente para compensar a resistência em outros segmentos religiosos.

No gênero, a assimetria também persiste. O presidente continua melhor avaliado entre mulheres, enquanto enfrenta rejeição mais forte entre homens. Esse desequilíbrio ajuda a sustentar parte da base, mas não altera o quadro geral de desaprovação majoritária.

Base regional não compensa perdas

O Nordeste segue como principal pilar de sustentação do governo, mantendo maioria de aprovação. Esse padrão já aparecia em fevereiro e permanece como âncora eleitoral de Lula. No entanto, outras regiões apresentam resistência consolidada.

Sudeste, Sul e Centro-Oeste concentram níveis mais altos de desaprovação, com destaque para o Centro-Oeste, onde a rejeição já era significativamente elevada na rodada anterior. A manutenção desse quadro reduz o espaço de expansão territorial da candidatura.

Desgaste se conecta ao cenário eleitoral

O impacto desses dados aparece diretamente nas simulações eleitorais. Em março, Lula ainda lidera o primeiro turno, mas vê a vantagem diminuir, enquanto adversários ganham terreno.

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No segundo turno, o empate técnico com nomes do campo bolsonarista indica que a eleição tende a ser definida por variações marginais em segmentos específicos.

A manutenção da desaprovação em nível elevado ajuda a explicar esse encurtamento. Quando a rejeição ultrapassa 50%, a margem de crescimento eleitoral fica mais restrita, e o desempenho passa a depender de recuperação em grupos onde o governo já enfrenta dificuldades.

A leitura combinada de fevereiro e março aponta para continuidade, não ruptura. O governo mantém apoio relevante em mulheres, eleitores mais velhos e no Nordeste, mas enfrenta resistência consolidada entre jovens, renda intermediária e evangélicos.

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Esse padrão cria um cenário de estabilidade negativa: o desgaste não piora de forma abrupta, mas também não recua. Em um ambiente pré-eleitoral, isso desloca o foco para a capacidade do governo de melhorar a percepção econômica e reconectar-se com segmentos que hoje limitam seu crescimento.

O levantamento ouviu 5.028 pessoas entre os dias 18 e 23 de março, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.

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