O presidente do Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira (SP), divulgou um vídeo na segunda-feira (2) em que pede desculpas pelas declarações que fez sobre a PEC que discute o fim da jornada de trabalho 6×1.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Pereira argumentou que a redução da jornada tiraria a competitividade das empresas brasileiras, além de questionar se o tempo livre adicional seria usado de forma benéfica para a sociedade.
Ao veículo, o deputado destacou que “ócio demais faz mal” e argumentou que um dia a mais de descanso poderia expor os trabalhadores às drogas e jogos de azar. Para justificar sua hipótese, Pereira defendeu que os mais pobres não tem amplo acesso ao lazer, o que facilitaria os hábitos ruins.
No vídeo, Pereira reavalia que suas palavras sobre o tema foram inadequadas. “Confesso aqui. Reconheço que minhas frases soaram desrespeitosas aos trabalhadores brasileiros. Meu ponto era falar sobre o impacto econômico”, disse sem citar diretamente a suposição sobre drogas e jogos de azar. “Todo trabalhador merece descanso, respeito e tempo com a família”, concluiu.
Em sua justificativa, o presidente do Republicanos citou sua experiência como ministro da Indústria e Comércio durante o governo Michel Temer (MDB) ao destacar o temor da reação econômica gerada pela aprovação da medida, salientando que a maioria da economia brasileira é composta por microempresas, que seriam duramente impactadas por uma mudança na carga laboral.
Na entrevista concedida à Folha, Pereira também havia discordado que a proposta seja votada em ano eleitoral. Para ele, tema é “muito sensível”, e pode colocar parlamentares sob pressão popular para aprovar: “Às vezes até tem que votar [a favor] por conta de ser um ano eleitoral, porque o eleitor pode não entender bem se você votar contra, por exemplo. Estou preocupado”, disse.
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Pereira ainda disse que a CLT, “com todos os méritos, tem muitos problemas” quando comparada com legislações de países com pleno emprego e economia mais pujante. Para o deputado, não dá para comparar o custo trabalhista, burocrático e tributário do Brasil com países envolvidos no acordo econômico Mercosul-UE.
Por fim, ele havia defendido que, embora a demanda pela redução da jornada seja legítima, a medida só teve sucesso em países que classificou como de “primeiro mundo”, com PIB per capita “altíssimo”, como Alemanha, Finlândia, Islândia e Noruega.
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