ANA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT
Os adolescentes de Mato Grosso e da região Centro-Oeste assumiram o topo do ranking nacional de consumo de cigarro eletrônico. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada na última quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de jovens entre 13 e 17 anos que já usaram dispositivos como “vapes” e “pods” atingiu 42% na região.
O número é quase o dobro da média registrada no Norte e Nordeste do país e supera significativamente a média brasileira de 29,6%.
O levantamento detalha que a iniciação no vício é mais comum entre as meninas (31,7%) do que entre os meninos (27,4%). Há também um recorte social importante: alunos da rede pública de ensino (30,4%) usam mais o dispositivo do que os da rede privada (24,9%).
Segundo Marco Andreazzi, gerente da pesquisa, o consumo desses produtos cresceu mais de 300% em cinco anos, impulsionado por uma propaganda que utiliza sabores atrativos e o falso argumento de que o cigarro eletrônico seria menos prejudicial à saúde que o convencional.

O avanço preocupa especialistas devido ao alto potencial de dependência e danos severos à saúde respiratória e cardiovascular. Conforme a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologioa, os pods e vapes contêm concentrações elevadíssimas de nicotina e substâncias químicas que podem causar uma lesão pulmonar grave associada ao uso de produtos eletrônicos.
A exposição à nicotina pode causar problemas de concentração, transtornos psiquiátricos e comprometimentos cognitivos, além de potenciais riscos cardiovasculares e pulmonares.
Álcool, drogas e cigarro
Enquanto o uso do “vape” disparou, o consumo de outras substâncias apresentou recuo. O uso de cigarros comuns caiu de 22,6% para 18,5% no período entre 2019 e 2024.
O uso de drogas ilícitas também registrou queda, passando de 13% para 8,3%. No caso do álcool, embora 57,5% das meninas e 49,7% dos meninos já tenham bebido, o IBGE observou uma redução no “consumo abusivo”, indicando que os jovens estão bebendo com menor intensidade.
Alerta na saúde sexual e gravidez precoce
A pesquisa também trouxe dados preocupantes sobre o comportamento sexual dos estudantes. O uso de preservativos na última relação caiu para 57,2%.
Além disso, o estudo revela um abismo de desigualdade na gravidez na adolescência: das 121 mil meninas que já engravidaram no Brasil, 98,7% estudam em escolas públicas.
Em 2024, a proporção de adolescentes grávidas na rede pública passou a ser oito vezes maior do que na rede privada, um salto drástico em comparação a 2019, quando essa diferença era três vezes menor.
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