VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
Preso sob suspeita de assassinar o paciente Alessandro Sidinei Braga, de 38 anos, em uma clínica de recuperação para dependentes químicos e pessoas com esquizofrenia, em Cuiabá, Odiley Rodrigues de Souza, de 42 anos, possui um extenso histórico de registros criminais por roubo, ameaça, violência doméstica, divulgação de cena de estupro, sexo ou pornografia, entre outros.
Alessandro foi encontrado morto com uma corda no pescoço na manhã desse domingo (31). Em depoimento à polícia, Odiley negou o homicídio, mas admitiu ter alterado a cena do crime para simular um suicídio.
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Na lista de passagens criminais de Odiley consta um processo por ameaça que tramita na Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá. O registro é de abril de 2021 e houve pedido de medidas protetivas de urgência em desfavor dele.
Em maio do mesmo ano, há outro processo que tramita na mesma vara, relacionado ao crime de divulgação de cena de estupro, sexo ou pornografia.
Em 2010, ele também se tornou réu por violência doméstica em Cuiabá.
Há ainda registros por crime de trânsito em 2024, posse de drogas em 2012 e 2013, uso de identidade falsa em 2017, ameaça em 2005 e roubo em 2004.
Constam também na ficha criminal de Odiley duas prisões em flagrante, uma em 2007 e outra em 2016.
Pedido de prisão preventiva
Em relação ao assassinato de Alessandro Sidinei Braga, o delegado da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Michael Paes, responsável pelo caso, já pediu a prisão preventiva de Odiley.
De acordo com as apurações, Odiley era o único plantonista responsável pela clínica na madrugada desse domingo.
Alessandro estava internado para tratamento de esquizofrenia e teria apresentado um surto psicótico durante o plantão. Em pelo menos duas ocasiões, Odiley conteve a vítima com um golpe conhecido como mata-leão e a amarrou com os braços para trás utilizando uma corda.
Na segunda contenção, ele deixou a vítima amarrada das 3h às 7h15. Ao amanhecer, Alessandro foi encontrado morto, com marcas de corda no pescoço.
Odiley disse à polícia que encontrou Alessandro pendurado na janela com a corda no pescoço. Contudo, a perícia criminal constatou inconsistências entre os vestígios encontrados e a versão apresentada pelo plantonista.
Em depoimento, Odiley acabou confessando que mentiu por medo e ainda pediu a uma testemunha que confirmasse a versão falsa.
A Polícia Civil suspeita que o próprio plantonista tenha enforcado Alessandro ou que, mesmo sem executar o enforcamento, tenha imobilizado completamente a vítima e a abandonado, assumindo conscientemente o risco da morte.
A conduta de Odiley foi considerada de extrema gravidade, uma vez que ele aplicou o golpe mata-leão em uma vítima que já estava em estado de vulnerabilidade, utilizando-se de sua posição de poder como único plantonista da unidade. Além disso, agiu com total desprezo pela vida humana ao deixar Alessandro amarrado e trancado, sem qualquer cuidado, por horas.
Ainda no pedido de prisão preventiva, a polícia argumentou que, se solto, Odiley poderá atrapalhar as investigações, ameaçar testemunhas e ocultar provas. Segundo a investigação, além de forjar a cena de suicídio e mentir à polícia, uma das testemunhas demonstrou preocupação ao questionar se Odiley não iria matá-la por contar a verdade.
O pedido de prisão preventiva ainda não foi analisado.
O caso
Alessandro Sidinei Braga foi encontrado morto na manhã desse domingo na clínica Pró-Vida Centro Terapêutico, localizada no bairro Jardim Primavera, em Cuiabá.
Ele fazia tratamento para controle de esquizofrenia e, no último sábado (30), havia apresentado um surto psicótico, precisando ser amarrado e medicado. Testemunhas relataram que ele só foi desamarrado quando demonstrou comportamento colaborativo.
Na manhã desse domingo, Odiley e outro responsável pela clínica informaram aos demais internos que Alessandro havia sido encontrado morto com uma corda enrolada no pescoço.
Durante o atendimento da ocorrência, um perito criminal analisou o cenário e constatou diversas inconsistências entre os vestígios encontrados e as informações prestadas por Odiley.
Ele foi autuado em flagrante por homicídio e fraude processual.
O caso segue sendo investigado pela DHPP.
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