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Queda de Flávio dá sinais de estabilização após caso Vorcaro, diz Real Time

A primeira pesquisa Real Time Big Data divulgada após a crise dos áudios envolvendo Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro indica que o episódio interrompeu a trajetória de crescimento do senador na corrida presidencial. Ao mesmo tempo, o levantamento sugere que o desgaste pode ter atingido seu ponto mais intenso.

No cenário de segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 45% das intenções de voto, contra 40% de Flávio. O resultado representa uma mudança significativa em relação à pesquisa anterior. Em maio, o senador liderava numericamente a disputa por 44% a 43%. Agora, perdeu quatro pontos, enquanto o presidente avançou dois.

Para Bruno Soller, sócio do Real Time Big Data, o principal fato novo do levantamento é justamente o efeito dos áudios sobre a candidatura do senador.

“Talvez esse seja o grande fato novo da pesquisa. Você vê uma queda do Flávio e um aumento da rejeição em função dos áudios, do envolvimento com o Vorcaro. Isso aparece”, afirmou.

Na avaliação do pesquisador, porém, os dados não apontam para uma deterioração contínua da candidatura. “Acho que deu uma estabilizada já nessa queda, nesse primeiro momento”, disse.

A leitura do cientista político é que o caso produziu um impacto perceptível sobre a imagem do senador, mas ainda não há evidências de que a perda de apoio esteja se aprofundando.

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Impacto fora do núcleo bolsonarista

A queda de Flávio ocorre após meses de crescimento sustentado. Desde o início do ano, o senador vinha reduzindo a distância para Lula ao ampliar sua presença em segmentos onde o bolsonarismo tradicionalmente enfrentava maior resistência.

A pesquisa mostra que sua base principal permanece relativamente preservada. Entre os evangélicos, Flávio lidera Lula por 40% a 30%. Entre os eleitores com renda superior a cinco salários mínimos, registra 33%, contra 28% do presidente.

O desafio aparece justamente nos grupos que permitiam a expansão da candidatura. Entre os eleitores com renda entre dois e cinco salários mínimos, Lula e Flávio aparecem empatados com 35% cada. Entre as mulheres, o presidente abre vantagem de 41% a 29%. Já entre os jovens de 16 a 34 anos, a disputa segue equilibrada, mas Lula mantém pequena dianteira, com 35% contra 34%.

Os números sugerem que o episódio envolvendo Vorcaro atingiu principalmente o eleitorado menos ideológico, justamente aquele que a campanha buscava conquistar para romper os limites da base bolsonarista tradicional.

Lula recupera terreno

Embora tenha sido beneficiado pela perda de força do principal adversário, Lula também enfrenta obstáculos. Segundo Soller, parte do desgaste do presidente pode estar relacionada ao aumento das preocupações com segurança pública e ao debate sobre organizações criminosas.

“O Lula sendo atingido talvez por duas coisas. A gente pega já um pouquinho da história das organizações faccionadas. Isso já acaba aparecendo de certa maneira”, afirmou.

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O pesquisador também destaca a entrada de novos nomes na disputa presidencial como um fator que ajuda a redistribuir intenções de voto.

“Eu acho que a coisa que talvez mais tenha impactado foi a entrada de novos atores também, como Aécio e Joaquim Barbosa. Então isso que eu imagino que seja o ponto principal para analisar”, disse.

Disputa segue aberta

Apesar da recuperação de Lula, a pesquisa não aponta uma corrida definida. O presidente lidera Flávio por cinco pontos no segundo turno, mas enfrenta dificuldades contra outros nomes da direita. Ronaldo Caiado (PSD) aparece empatado com Lula em 43% a 43%, enquanto Romeu Zema (Novo) registra 40% contra 43% do presidente, diferença dentro da margem de erro.

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Para Soller, o principal sinal emitido pela pesquisa não é uma mudança estrutural na disputa, mas a interrupção de uma tendência que vinha favorecendo Flávio. O senador sofreu o impacto dos áudios, perdeu parte do avanço acumulado nos últimos meses e viu Lula recuperar a dianteira.

Ao mesmo tempo, a estabilização observada pelo instituto sugere que a próxima rodada será decisiva para medir se o desgaste foi um episódio pontual ou o início de uma mudança mais duradoura no cenário eleitoral.

A pesquisa Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores entre os dias 29 e 30 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-05864/2026.

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